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domingo, 4 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

UPP: COMO UM PM PODE TRABALHAR DE BERMUDA, CHINELO, COLETE E FUZIL ? QUEM AUTORIZOU ?

Prezados leitores, isso é inacreditável.




"Revista Veja
PM de UPP vai trabalhar em favela de chinelo, bermuda e fuzil
Foto viraliza na internet junto com áudio de policial do Bope reclamando dos trajes do colega 
Por Leslie Leitão 
12 jan 2017, 16h52 - Atualizado em 12 jan 2017, 19h33
Uma foto de um soldado da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, viralizou na internet nesta quinta-feira. O policial militar, alegando que sua farda havia sido destruída em um incêndio que praticamente acabou com o alojamento da unidade, no final da tarde de ontem, decidiu trabalhar de chinelo, bermuda, fuzil na mão e apenas o colete com a identificação de PM. Por pouco ele não foi confundido com um traficante por policiais do Bope que, durante todo o dia, fizeram operação na favela. 
A foto mostra justamente um policial do Bope conversando com o soldado. Nos grupos de WhatsApp de policiais do Rio, a imagem se espalhou junto com um áudio de um minuto, no qual o agente do Bope reclama da roupa usada pelo colega: “Aí chego na favela tá o camarada da UPP desse jeito. Aí toma um balaço. E aí?!..”, diz. 
Na gravação, o policial que seria do Bope diz que ainda orientou o soldado a vestir uma calça jeans e uma camisa, mas que ele estava apenas ‘cumprindo ordem’. O site de VEJA procurou o Comando de Polícia Pacificadora (CPP), que respondeu: “Segundo o comando da UPP Vila Cruzeiro, o policial – de folga – se apresentou voluntariamente para participar da operação de rescaldo da UPP. No entanto, tendo em vista o traje utilizado pelo agente, o comandante orientou que o mesmo não participasse da ação” (Fonte)". 

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

A VIDA É MUITO CURTA PARA MORAR NO RIO - MARILIZ PEREIRA JORGE



Prezados leitores, publicamos texto que traduz muito bem a realidade de viver no perigoso estado do Rio de Janeiro.

"A vida é muito curta para morar no Rio 
30/06/2016 09h04 
Eu era a paulista mais carioca que meus amigos conheciam. Tinha a tal alma, roupas coloridas, conta na barraca do Leandro, no Posto 12, mesa cativa no Jobi, chamava os garçons pelo nome, tomava cerveja na calçada, banho de mar à noite no verão. Estava com uma mala sempre pronta, e a poltrona 8F no avião religiosamente reservada para ver lá de cima a cidade chegando. 
A vida é muito curta para não morar no Rio, diziam. Eu ria, mas voltava feliz para o meu caos organizado em São Paulo, às segundas pela manhã. Até que uma proposta de trabalho me trouxe de mala e mudança. Depois do primeiro mês, a lua de mel com a cidade acabou e eu me perguntava: como as pessoas moram aqui? 
Demorou, mas não sou mais solitária nesse questionamento. Vejo amigos e conhecidos compartilhando em redes sociais uma pesquisa feita pela ONG Rio Como Vamos, que mostra que 56% da população tem vontade de ir embora da cidade. Em 2011 esse percentual era de 27%. 
O que faz os moradores quererem fazer as malas é o aumento da violência. Roubos na rua assustam mais as classes mais altas, enquanto as balas perdidas são o terror na vida da população menos favorecida. Mas os problemas do Rio vão muito além disso, e é um espanto que apenas tiro, porrada e bomba tenham acendido o alerta de que a Cidade Maravilhosa é uma farsa. Uma paisagem espetacular, recheada de problemas escandalosos. 
Essa visão de que o Rio é o melhor lugar do mundo para se viver é um tanto provinciana e romântica, além de cega, de uma maioria que mora e trabalha na zona sul –e parte da zona oeste– e só de vez em quando tem o doce cotidiano chacoalhado pela violência que atravessa o túnel Rebouças. Gente que vive numa bolha, que eventualmente estoura num assalto com morte. 
Vida que segue. A gente se deslumbra com a belezura da geografia e aprende a conviver com malandragem generalizada, falta de pontualidade, incompetência disfarçada de informalidade, hostilidade travestida de espontaneidade, infâncias miseráveis, pobreza, falta de tudo. 
O Rio é só uma cidade decadente que vive de um glamour passado, num presente melancólico. E parte da sua população sempre foi conivente com tudo que nos fez descambar para essa triste realidade. Como fechar os olhos para uma parte gigante da cidade que apenas sobrevive? 
Praias, lagoas e baía não ficaram poluídas da noite para o dia. Ainda assim, as areias estão sempre cheias, mesmo nos dias em que o mar não está nem para peixe nem para gente. O negócio é mergulhar no cocô para se refrescar, tomar uma cervejinha e tirar foto do pôr do sol. Com sorte, daqui uns anos ainda reste o pôr do sol. 
Chamar favela de comunidade não muda o fato de que centenas de milhares de pessoas continuam vivendo sem saneamento, sem saúde, sem educação, reféns ora do tráfico ora da milícia. Mas é bonito subir o morro, ir ao sambinha, postar foto na "comunidade" e fazer de conta que ela está integrada. Não está. Fica bonito na letra de música, na poesia, mas é apenas gente esquecida –e tolerada– em troca de status de cartão postal. 
Mas tudo bem, a gente dá uma maquiada, ergue muros nas linhas Amarela e Vermelha para que os turistas não vejam o lado mais feio, miserável e perigoso da cidade –além de evitar que balas atravessem a pista e matem os desavisados. De quebra, nós mesmo esquecemos que existe o lado mais feio, miserável e perigoso por onde só passamos a caminho do aeroporto. 
O coro de "nunca pensei que diria isso, mas penso em ir embora do Rio", tomou o lugar de posts babaovistas com legenda "Rio, eu amo eu cuido", "Eu moro onde as pessoas passam as férias". Férias é somente o que uma pessoa com juízo faria aqui. Vem, passa o dia na praia, torce para não ser vítima de um arrastão, passeia pelos pontos turísticos, toma um chopp aguado, come um bolinho no Braca, vai no ensaio da escola de samba, se o tráfico não estiver em pé de guerra, pega o avião a vai embora. 
Para quem mora aqui, o jeito é torcer. O que nem sempre é suficiente. Para muita gente a vida tem sido muito curta para morar no Rio. Juan, um ano e dois meses. Giselle, 34. José Josenildo, 31. Foram mortos nas últimas semanas. Bala perdida. Tentativa de assalto. Emboscada. Não há paisagem que valha a pena morrer tão cedo. 
Obviamente, criminalidade, pobreza, corrupção e falta de toda a sorte de serviços básicos são problemas em maior ou menor grau em todas as capitais brasileiras, mas nenhuma se vende como Cidade Maravilhosa. E antes que algum ofendido venha me mandar embora, só tenho uma coisa a dizer: é o que eu mais quero. Eu e os 56% dos moradores do Rio. 
Mariliz Pereira Jorge 
É jornalista e roteirista. Apresenta o programa "Sem Mimimi com Mariliz", no YouTube". 

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