Policias Militares assassinados
Governador não recebeu seus familiares
A MORTE DE CLÁUDIA FERREIRA, A EXPLORAÇÃO POLÍTICA DE UMA TRAGÉDIA
Eu tenho vergonha!
No dia 16 de março de 2014, uma tragédia se abateu sobre a vida de inúmeras pessoas no Rio de Janeiro.
Era manhã de domingo quando Policiais Militares realizaram uma incursão da comunidade da Convanca, situada na Zona Norte.
Tiros foram disparados, traficante morto, traficante preso, armas e drogas foram apreendidas.
Caso o saldo fosse apenas esse, nenhuma anormalidade seria detectada, pois esse é o resultado da maioria das operações policiais do tipo “tiro, porrada e bomba” que o governo Sérgio Cabral emprega nas comunidades carentes, isso desde o início da sua gestão no Palácio Guanabara em janeiro de 2007.
Infelizmente, em muitas dessas operações “tiro, porrada e bomba” policiais e moradores acabam feridos e/ou mortos, como aconteceu incontáveis vezes na gestão Cabral e que voltou a ocorrer tragicamente na naquela manhã domingo.
No curso da operação, comandada por um Tenente da Polícia Militar, a senhora Cláudia Ferreira, uma cidadã brasileira, uma mãe de família com quatro filhos e que ainda cuidava de quatro sobrinhos, uma trabalhadora, também foi vítima da operação. Uma tragédia para familiares e amigos, como tantas outras que ocorreram no atual governo.
A tragédia ganhou contornos terríveis, quando a tampa traseira da viatura na qual era conduzida a senhora Cláudia se abriu e ela caiu para fora sendo arrastada por cerca de 350 metros, antes que os três Policiais Militares fossem avisados por populares, quando pararam a viatura e recolocaram a vítima, dando prosseguimento ao socorro.
O fato foi filmado por um cidadão.
Imagens horríveis que chocaram o mundo, como não poderiam deixar de fazer.
O fato está sendo investigados pela Polícia Civil e pela Polícia Militar, sendo que com o passar dos dias vários detalhes têm sido esclarecidos, muitos mudando o cenário inicial onde a versão dos Policiais Militares ainda não existia, mas não é esse o objetivo desse artigo, confrontar versões, o foco é o tratamento político que está sendo dado à tragédia.
Os três Policiais Militares foram autuados e presos, sendo acautelados em Bangu 8, algo inexplicável a princípio, pois deveriam estar acautelados em uma Organização Policial Militar.
Por que eles estão indevidamente em Bangu 8?
Simples, isso é uma resposta política, uma parte de uma estratégia política que tem se repetido no atual governo.
Tragédia ocorrida, logo o governo se apressou em se afastar das suas responsabilidades sobre o que ocorreu.
Eleições chegando, politicamente o governo precisava demonstrar para a população que não tolera ações desse tipo, as quais ele reprime com todo rigor.
Para alcançar seu objetivo, ou seja, ficar fora do problema, embora faça parte dele, o governo Cabral atirou toda a responsabilidade na Polícia Militar e nos Policiais Militares.
Prendeu os Policiais Militares, jogou-os em Bangu 8 (ou Bangu 1) e sinalizou que vai expulsá-los.
Tecnicamente, tudo errado. Politicamente, uma saída estratégica.
Uma vergonhosa estratégia diante de uma tragédia que se abateu não só sobre os familiares e os amigos da senhora Cláudia, mas que também se abateu sobre os familiares e amigos dos três Policiais Militares.
Uma vergonhosa estratégia que teve seu ápice na reunião do governo com os familiares da vítima no Palácio Guanabara.
A tragédia passou a ser explorada politicamente de forma condenável.
De um lado o governo perfeito, o que está com as mãos limpas e do outro lado três Policiais Militares, os algozes.
Prezados leitores, isso tudo é uma vergonha.
Quem tem autorizado essas operações “tiro, porrada e bomba” nesses mais de sete anos, as quais já causaram incontáveis vítimas?
O governo Cabral.
Quem poderia ter acabado com esse tipo de operação policial e não o fez até hoje?
O governo Cabral.
Quem deveria disponibilizar todos os recursos para a realização de operações policiais?
O governo Cabral.
Quem deveria, por exemplo, disponibilizar uma ambulância para acompanhar cada uma dessas operações, tendo em vista que nelas é enorme o risco de policiais, traficantes e/ou moradores serem feridos?
O governo Cabral.
Onde estava a ambulância que devia estar em condições de ser acionada de imediato quando a senhora Cláudia foi ferida por tiro de fuzil?
Não existia ambulância.
O que fizeram os Policiais Militares?
Na falta da ambulância providenciaram uma viatura para transportar a vítima.
Cabe destacar que igual providencia é tomada quando um Policial Militar é ferido nessas operações ou no interior das comunidades “pacificadas” pelo governo Cabral, como tem ocorrido frequentemente.
Os Policiais Militares feridos também são transportados em viaturas e, em várias ocasiões, na parte da viatura onde foi colocada a senhora Cláudia, eis a realidade.
Quem duvidar que pergunte aos nossos policiais.
Sim, a tampa traseira abriu e a vítima foi arrastada, as imagens terríveis correram o mundo.
Apesar dessa verdade, a perícia constatou que a “tranca” não apresentava problema, logo ocorreu um caso fortuito, algo fora do controle dos Policiais Militares, ou seja, eles não podiam prever tal resultado e, certamente, não queriam.
Não importam essas verdades, alguém tem que ser culpado e não pode ser o governo.
Não importa que a manutenção das viaturas da Polícia Militar seja responsabilidade de uma empresa contratada pelo governo Cabral, isso a preços exorbitantes.
Cabe esclarecer à população que se o socorrido fosse um Policial Militar, ele seria arrastado de igual modo, eis a verdade.
Onde estava a ambulância que o governo Cabral devia disponibilizar para evitar tais tragédias?
Ela não estava na Covanca, eu não sei onde ela estava.
Só sei que em algumas oportunidades em que vi a comitiva do governador se deslocar pelas ruas do Rio de Janeiro, uma ambulância se fazia presente no comboio. Uma prevenção diante da possibilidade de um acidente automobilístico, eu creio.
Leitores, salvo melhor juízo, a família de Cláudia foi recebida por quem tinha tudo para evitar a tragédia, mas não evitou.
Juntos Somos Fortes!