JORNALISMO INVESTIGATIVO

JORNALISMO INVESTIGATIVO
Comunique ao organizador qualquer conteúdo impróprio ou ofensivo

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A IMPLANTAÇÃO DAS UPPs E O AUMENTO DE DESAPARECIDOS E ASSASSINADOS

Os leitores habituais dos nossos blogs sabem há muito que a gestão da segurança pública no Rio de Janeiro concentra esforços e recursos na Capital em detrimento dos outros noventa e um municípios, sobretudo em face da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), os Grupamentos de Policiamento em Áreas Especiais (GPAEs) agigantados.
Em termos de efetivo isso é muito fácil comprovar, bastando perguntar à PMERJ o efetivo de PMs lotados nas OPMs da Capital (incluindo as UPPs) e o efetivo em cada um dos outros municípios do estado.
No artigo anterior comentamos que o número de desparecidos estava crescendo significamento na gestão do secretário de segurança Beltrame, enquanto o número de homicídios estava diminuindo, conforme matéria do jornal Folha de São Paulo (Leia). Hoje, o jornal O Globo trás reportagem dando conta o número de homicídios aumentou mais de 10% no estado, embora tenha diminuído 1,6% na Capital super policiada, isso comparando o período de janeiro a julho de 2012 com igual período de 2013 (Leia).
O passar do tempo está comprovando o que escrevemos incontáveis vezes sobre o projeto das UPPs (GPAEs).
Diante desse quadro, sugiro uma reflexão:
Por que o projeto das UPPs não começou na Baixada Fluminense, região historicamente mais violenta do estado do Rio de Janeiro?
Hoje, após a instalação de dezenas de UPPs, a Baixada estaria "pacificada".
Pense sobre isso, a minha opinião eu já dei em vários artigos, mas faço questão de reproduzi-la na forma de outro convite à reflexão:
Imagine como estaria a Zona Sul do Rio com a migração dos criminosos da Baixada Fluminense.
Beltrame promoveu o movimento contrário e foi aclamado pela imprensa.
Juntos Somos Fortes!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

AMARILDO, UMA NOVA VERSÃO PARA PACIFICAÇÃO?

O pedreiro Amarildo, morador da "pacificada" Rocinha, continua desaparecido. Os dias passam e o fato vai perdendo força no noticiário. Fenômeno que se repete rotineiramente no Rio de Janeiro, estado onde o número de desaparecidos tem crescido ao longo do governo Sérgio Cabral.
Cabral assumiu o governo na primeira hora do ano de 2007, quando nomeou para a secretária de segurança, o delegado de Polícia Federal José Mariano Beltrame, o qual permanece até a presente data no exercício da função, tendo nomeado nesse período cinco Comandantes Gerais da Polícia Militar e três Chefes da Polícia Civil, uma rotina de trocas que representa um recorde nacional na área da segurança. Nunca se trocou tanto.
No ano anterior à assunção de Beltrame, o Rio registrou um número absurdo de pessoas desaparecidas: 1.904.
Verdade, na época o viés era de leve queda:
2003 = 2.059.
2004 = 2.020.
2005 = 1.930.
2006 = 1.904.
Uma diminuição pouco superior a 5%.  
Números dignos de uma guerra, sem dúvida.
Após dois anos de manutenção do tiro, porrada e bomba como única "política de segurança" (2007-2008), Beltrame inciou o propalado processo de pacificação no final de 2008 com a transformação do projeto dos Grupamentos de Policiamento em Áreas Especiais (GPAEs) da Polícia Militar em um projeto de governo, adotando um novo nome: Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Nascia na Zona Sul a "pacificação" do Rio de Janeiro com apoio maciço da imprensa. Um apoio amplo, geral e irrestrito. Tanto que recentemente, a jornalista Lillian Witte Fibe participando do programa do apresentador Jô Soares, lembrou que era praticamente proibido falar mal na imprensa a respeito das UPPs. Isso é inquestionável. 
O quadro parece estar mudando, as críticas começam a romper a blindagem, o que sinaliza que a verdade está vencendo os interesses políticos e econômicos, finalmente.
Após sete anos de gestão Beltrame ocorreu uma reversão, o número de desaparecidos parou de cair e aumentou assustadoramente. Dados contidos em matéria do jornal Folha de São Paulo (leiam) publicada no dia 14 de agosto, indicam que em 2013 já foram registrados um total de 2.655 desaparecidos.
Caros leitores, um aumento de 40% no número de desaparecidos (1.904 / 2655).
Uma tragédia social.
Quem sabe até o final do ano não teremos alcançado um aumento de 50%, considerando que para isso só faltam mais 200 Amarildos desaparecerem nesses últimos quatro meses.
Verdade, lembra a matéria, o número de homicídios diminui bastante no período Beltrame. Aumentaram os desaparecidos e diminuíram os assassinados, os números indicam.
Será essa a verdade?
Isso me leva a uma reflexão:
Será que o termo pacificação não ganhou um novo sentido?
Um sentido transformador.
Uma "química" que transforma assassinatos em desaparecimentos?
Sugiro a reflexão.
Cadê Amarildo?
Repito a pergunta feita nas ruas.
Juntos Somos Fortes!



terça-feira, 3 de setembro de 2013

A GREVE DOS PROFESSORES É INÓCUA?

Iniciei minha participação em atos cívicos nas ruas do Rio de Janeiro no dia 25 de janeiro de 2008, quando era Coronel PM do serviço ativo e exercia a função de Corregedor Interno da Polícia Militar. O ato foi em defesa da PMERJ e dos Policiais Militares. A partir daquele dia, apesar das incontáveis represálias governamentais, segui participando de dezenas de atos em defesa dos mais variados temas e de diferentes categorias profissionais.
Filho de professor, professor e pai de professor participei de mobilizações dos profissionais da educação pública municipal e estadual, filmando e publicando em meu blog artigos sobre elas.  Portanto, sinto-me bem à vontade para colocar nesse breve artigo um título que pode até parecer ofensivo, diante do grande esforço dispendido pelos manifestantes ao longo dos atos que participei e dos atuais, inclusive o exaustivo acampamento em frente à secretaria estadual de educação (vídeo 2011).
Sim, penso que o movimento grevista seja pouco produtivo e fundamento: Os governantes sempre demonstraram que não possuem qualquer preocupação com a educação do nosso povo, isso não os afeta em nada. Povo não educado é povo sem cidadania. E isso é ótimo para eles. Além disso, usam a greve para colocar a população, sobretudo os responsáveis pelos alunos, contra o movimento.
Apesar de tal argumentação, considero a greve como o único caminho para a construção de uma educação pública de boa qualidade, mas a não a greve dos profissionais de educação, mas a greve dos alunos, os quais devem ocupar as ruas do Rio de Janeiro, ao lado de seus professores e responsáveis, cobrando o direito a ter acesso à cidadania, o direito de ter um futuro digno através da educação.
Os governantes não temem os professores em greve, não temem as reclamações dos responsáveis e não estão nem aí para o futuro da juventude, como já demonstraram em movimentos anteriores realizados nos últimos anos. Isso é fato.
Eles temem é a juventude na rua. A presença constante de milhares de jovens estudantes, agindo de forma ordeira e pacífica, protestando contra os maus governantes e cobrando seus direitos. Todos e todas apoiados pelos seus exemplos: responsáveis e professores.
Fica a ideia.

Juntos Somos Fortes!

UPP DA ROCINHA - A DESPEDIDA DO COMANDANTE

O Major PM Edson Santos foi exonerado do comando da UPP da Rocinha.
Acesse o link e leia o texto do Oficial sobre o seu comando:
Juntos Somos Fortes!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A MILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS CIVIS DO BRASIL

Os espasmos cívicos que brotaram em dezenas de cidades brasileiras no mês de junho, levando o povo a se manifestar nas ruas, revelaram que o gigante pode acordar, embora prefira o sono, bem como, demonstraram pela enésima vez como são ineficientes as nossas organizações policiais.
As Polícias Militares demonstraram enorme dificuldade em garantir o direito de livre manifestação popular e maior dificuldade ainda em evitar os atos de vandalismo. Ostensivas, visíveis nas ruas, as Polícias Militares são a parte facilmente identificável da ineficiência dos gestores da segurança pública, esses quase nunca responsabilizados. Paga a polícia presente nas ruas um preço muito alto, sendo acusada de excessos quando age e acusada de omissão quando não reprime e o vandalismo acontece. Os fardados foram ineficientes, isso é verdade.
Tal realidade fez crescer geometricamente os discursos sobre a desmilitarização das Polícias Militares, como se a forma de organização fosse a causa determinante dos erros. O tema desmilitarização é antigo e deve ser discutido, mas não de forma isolada e muito menos oportunista. Não podemos permitir que visões monoculares repercutidas pela imprensa escondam do grande público que a ineficiência das Polícias Militares nos protestos possui tamanho idêntico à ineficiência das polícias não organizadas militarmente: as Polícias Civis. Sim, as Polícias Civis, responsáveis pela investigação dos crimes praticados durante os protestos e pela apresentação dos seus autores ao poder judiciário. As Polícias Civis foram tão ou mais ineficientes que as Polícias Militares. Eis outra verdade.
Em apertada síntese, não concordando que a ineficiência policial seja fruto da organização militar, um modelo eficiente por natureza, ouso propor a imediata militarização das Polícias Civis como forma de melhorar seu desempenho, sendo propositalmente tão irresponsável quanto os que querem melhorar o caótico sistema policial brasileiro, tremulando apenas a bandeira da desmilitarização das Polícias Militares.
Juntos Somos Fortes!


CORONEL PM REF PAÚL - JULGAMENTO - CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO

O Exmo Desembargador Valmir dos Santos Ribeiro do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, relator do processo, julgou prejudicado o Conselho de Justificação ao qual foi o autor desse blog por perda de seu objeto.
Juntos Somos Fortes!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

JULGAMENTO DO CORONEL PM RR RABELLO E DO MAJOR BM MÁRCIO GARCIA NO TJ/RJ

As anistias administrativa e criminal prevaleceram no julgamento.
Faltam ainda os julgamentos do autor desse blog e do Major PM RR Hélio.
Parabéns!
Juntos Somos Fortes!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

CORONEL PM RR RABELLO - MAJOR BM MÁRCIO GARCIA JULGAMENTO - TRIBUNAL DE JUSTIÇA

O julgamento do Coronel PM RR Rabelo foi marcado para a próxima quarta-feira, dia 14 AGO 2013, às 13:00 horas, no Tribunal de Justiça. Ele será o segundo Oficial que participou da mobilização por melhores salários no ano passado a ser julgado pelo Tribunal de Justiça do RJ (TJ/RJ), após ter sido submetido a um Conselho de Justificação, para o qual foi indicado pelo ex-Comandante Geral da PMERJ. Rabello foi um dos três Oficiais da Polícia Militar que foi encarcerado ilegalmente na Penitenciária Bangu 1 pelo governo Sérgio Cabral. 
O Major BM Márcio Garcia, outro Oficial que participou da mobilização, também será julgado no mesmo dia e horário.
Todos e todas torcem para que o Coronel PM RR Rabello e o Major BM Márcio Garcia sejam vitoriosos.
O primeiro Oficial julgado foi o Capitão BM Marchesini, o qual foi considerado justificado (absolvido).
O autor deste blog e o Major PM RR Hélio são os outros Oficiais que estão respondendo pelo mesmo fato junto ao TJ/RJ.
Juntos Somos Fortes!


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

ANISTIA: MEU AGRADECIMENTO AO DEPUTADO ESTADUAL MARCELO FREIXO

Agradeço ao deputado Marcelo Freixo pela citação do meu nome no seu discurso sobre a anistia dos Bombeiros e Policiais Militares.
A luta foi de todos e de todas.

 Juntos Somos Fortes!

ALERJ APROVA ANISTIA DOS BOMBEIROS E PMs

Ontem, a ALERJ finalmente votou e aprovou a anistia dos Bombeiros e dos Policiais Militares que participaram da luta por melhorias salariais nos ano passado.
O nosso agradecimento a todos e a todas que apoiaram essa luta por justiça.
O projeto segue para o governador Sérgio Cabral a quem cabe sancionar ou não.
Vamos aguardar.
Juntos Somos Fortes!

GRAVÍSSIMA AFRONTA À POLÍCIA MILITAR


O que significa isso?
Não recordo ter visto uma afronta tão grande à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
O jornal O Globo deve explicações.
Juntos Somos Fortes!

sábado, 3 de agosto de 2013

ATO PELA ANISTIA DOS BOMBEIROS E PMs

Data: 07 AGO 2013.
Horário: 14:00 horas.
Local: ALERJ.
Objetivo: Inclusão na pauta de votação do projeto de anistia dos Bombeiros e Policiais Militares que lutaram pela conquista de salários dignos.
Juntos Somos Fortes!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

ANISTIA DOS BOMBEIROS E PMs - SENADO APROVA

O Senado Federal também aprovou a anistia dos Bombeiros e Policiais Militares.
Leiam no Jornal do Brasil (link).
O projeto seguirá para sanção presidencial.
Juntos Somos Fortes!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

ANISTIA DOS BOMBEIROS E PMs - PRIMEIRO PASSO

Ontem foi aprovada na Câmara dos Deputados a anistia criminal de Bombeiros e de Policiais Militares que participaram de mobilizações salariais em vários estados. O projeto seguirá para o Senado, onde será votado.
O primeiro passo foi dado, o caminho ainda é longo, pois temos que lutar pela anistia administrativa, a qual deve ser votada nas Assembleias Legislativas.
No Rio de Janeiro, o projeto de anistia se arrasta há mais de um ano na ALERJ, em face do deputado estadual Paulo Melo (PMDB), presidente da casa legislativa, se recusar a colocá-lo em votação. O projeto foi assinado por mais de 60 deputados.
Juntos Somos Fortes! 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

DESMILITARIZAR A POLÍCIA MILITAR - DALMO DALLARI - CONSIDERAÇÕES

Artigo republicado diante da crescente ideia de que a desmilitarização das PMs será a solução para os problemas da segurança pública.
SEGUNDA-FEIRA, 1 DE OUTUBRO DE 2007
DESMILITARIZAR A POLÍCIA - DALMO DALLARI
Chegar a meio século de vida não significa o alcance da sabedoria, na realidade, ao ultrapassarmos o cinquentenário, mesmo na plenitude da produtividade mental, pois a física se perdeu no tempo, apenas uma "certeza absoluta" possuímos - o desencarne está cada dia mais próximo.
Portanto, prefiro ser socrático e afirmar que "só sei que nada sei", antes de criticar uma obra alheia, embora tenha passado dos cinquenta.
No seio familiar aprendi que respeitar a opinião do outro é um sinal de civilidade, um exercício que todos nós deveríamos nos obrigar diariamente.
Aliás, maior civilidade ainda demonstra o ser humano que muda de opinião, quebrando seus paradigmas internos mais fortes.
Deixar-se convencer, diante de uma verdade, diferente da sua, mostra grandeza de propósitos e de ideais.
Ainda estou muito longe desse imaginário ser humano perfeito, vez por outra, me surpreendo na entrada da caverna, titubeando entre sair para o mundo exterior e voltar para a segurança da escuridão, contentando-me com a confortável ignorância.
No sábado, o texto a seguir me surpreendeu.
Confesso que a vontade primeira foi gritar a plenos pulmões a minha indignação.
Em um ato de coragem saí da caverna e enfrentei o desconhecido.
Ilustre DALMO DALLARI, perdoe-me, o renomado Professor e Jurista para mim era um completo desconhecido.
Eu sei, a recíproca é ainda mais verdadeira, para o senhor o Coronel Paulo Ricardo Paúl, atual Corregedor Interno da PMERJ, é abissalmente distante da sua realidade.
E busquei conhecer o desconhecido.
Vi que o seu artigo já tinha sido transcrito no blog MILITAR LEGAL, do Tenente Melquisedec Nascimento.
Descobri que o senhor foi uma das 23 (vinte e três) personalidades que deram depoimento para o livro "ESTADO DE DIREITO JÁ" e que na realidade seu nome é Dalmo de Abreu Dallari.
Li uma declaração sua contida no artigo "NY Times: Brasil pode utilizar o Exército para substituir policiais em greve", escrito por LARRY ROTHER.
Em seguida, li outra citação a seu respeito, no artigo "Mais segurança: com ou sem armas?", escrito por MIGUEL GLUGOSKI.
O jornalista REINALDO AZEVEDO fez uma análise crítica muita dura sobre a sua postura a respeito de um movimento na USP, no artigo "No afã de seduzir adolescentes, Dallari quebrou a cara".
E resolvi parar quando li sobre o senhor no "Jornal da Universidade - UFRGS" e no blog "ZÉ DIRCEU - Um espaço para a discussão do Brasil".
Confesso, desisti, o senhor é famoso demais, eu levaria todo o resto da minha vida para conhecer a sua obra.
Frustado e pior, mais indignado, ao perceber como alguém tão famoso quanto o senhor - um formador de opinião - consegue escrever sobre algo que não conhece, desfilando conceitos repetidos incontáveis vezes, não acrescentando nenhum fato novo.
O senhor condenou o modelo militar adotado pela Polícia Ostensiva e de Preservação da Ordem Pública, sem conhecer o modelo.
Assim sendo, arguindo os princípios do contraditório e da ampla defesa, analiso o seu artigo.
Na verdade, invado o seu artigo e para preservá-lo faço os meus comentários utilizando letras na cor vermelha, enquanto o original está em azul.
Vamos ao artigo.
*******
JORNAL DO BRASIL
SÁBADO, 29 de Setembro de 2007.
Dalmo Dallari.
Professor e Jurista.
No Brasil há muita polícia e pouco policiamento. Com efeito, estão previstas na Constituição oito organizações policiais autônomas, com diferentes áreas de atuação, o que deveria significar que a ordem legal está assegurada em toda as atividades que interessam à sociedade brasileira e que a criminalidade está mantida em nível baixo, não havendo motivo para que as pessoas sintam insegurança e vivam com medo. Quem não conhecer o Brasil e tomar conhecimento da existência dessa pluralidade de organizações policiais irá concluir que não há espaço para ofensas à segurança pública, à vida e a integridade física das pessoas, bem como ao patrimônio. A realidade, entretanto, é outra.
Muitas pessoas, sobretudo nas grandes cidades, vivem com medo, sentindo-se inseguras, na expectativa de sofrer algum tipo de violência ou de ser vítima de alguma ofensa à pessoa ou ao patrimônio a qualquer momento. A par disso, é público e notório que um dos negócios mais rendosos do Brasil é a segurança privada, o que já deve fazer pensar.
Evidentemente, é mais do que tempo de se promover um debate sério e objetivo, sem arroubos demagógicos e sem falsa indignação, livre da influência de interesses corporativos, buscando a definição de uma política de segurança para todo país, para as regiões e as cidades, e o estabelecimento de um sistema policial integrado, em que uma polícia saiba o que outra está fazendo e todas atuem com espírito de colaboração, colocando acima de tudo o interesse público. Essa é uma idéia que deve ser proposta desde já para ser amadurecida, a fim de que as pessoas e entidades realmente interessadas no encontro de boas soluções e capazes de dar contribuição relevante comecem a pensar seriamente no assunto.
(Sinceramente, linhas e linhas do mais tradicional lugar comum, já lidas e relidas em incontáveis publicações. Talvez, uma única frase resumisse tudo isso: Precisamos mudar o modelo empregado na Segurança Pública. Isso é fato. Se não está funcionando, e não está, devemos mudá-lo).
Como contribuição a esse debate, seria importante que desde já se considerasse com seriedade, sem preconceitos ou reservas de qualquer natureza, a desmilitarização das Policiais Militares.
(Mais uma vez, um velho e desgastado discurso, próprio daqueles que desconhecem que a estrutura militarizada é empregada mundo a fora e com muito sucesso, diga-se de passagem).
Seria injusto negar que essas polícias têm dado contribuição positiva para e segurança pública no Brasil, mas seria também fugir à realidade não reconhecer que grande número de problemas graves de segurança pública, inclusive violência e corrupção, têm origem no caráter militar, absolutamente impróprio, dessas corporações .
(Assombrado, repito parte do seu texto:... "mas seria também fugir à realidade não reconhecer que grande número de problemas graves de segurança pública, inclusive violência e corrupção, têm origem no caráter militar, absolutamente impróprio dessas corporações." De duas uma, ou o senhor acha que a Polícia Não Militarizada no Brasil não é corrupta e nem violenta, ou regressou recentemente de Marte, tamanha a inconsistência de sua afirmativa, fundamentada sabe-se lá onde ou em que).
Com efeito, diz a Constituição que às Policiais Militares, organizadas pelos Estados e pelo Distrito Federal, cabem a polícia ostensiva a preservação da ordem pública. Elas são, portanto, serviços públicos essenciais, ligados à manutenção da ordem pública interna, sendo de sua responsabilidade uma constante ação de vigilância e preservação, devendo fazer-se visíveis dia e noite, a fim de impedir a existências de situações que sejam propícias à quebra da ordem legal e à ofensa aos direitos que ela consagra.
(Perfeito e de domínio público).
A função de Policiais Militares é prestar serviços ao seu povo e não enfrentar inimigos. Já o fato de estar instalada em quartéis e ser, por isso, de difícil acesso, afasta essas polícias do povo. A par disso, a graduação militar de seus membros e o uso de fardamento militar, em lugar de um uniforme civil, lembram muito mais um exército do que uma polícia, sendo também um fator de distanciamento.
(O senhor precisa viajar um pouco mais pelo mundo, sair um pouco da "caverna", buscar o conhecimento. Recentemente, alguns brasileiros que regressaram do Chile, enalteceram para mim, a excelência dos Carabineiros. O senhor os conhece? E as suas impecáveis fardas?).
Acrescentem-se a isso os privilégios absurdos assegurados aos seus integrantes, quando praticam irregularidades graves ou crimes, não havendo como negar que os policiais militares envolvidos na prática de crimes têm sido muito beneficiados pela proteção corporativa, em prejuízo da eficiência e da autoridade da organização.
(O senhor certamente não conhece a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, caso contrário saberia que no período de 2005 a 2007 foram demitidos mais de 550 (quinhentos e cinquenta) integrantes da Policia Militar. Nós devemos ser muito corporativistas na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, pelo menos no seu imaginário. O senhor conhece alguma Polícia Não Militarizada do Brasil que tenha um controle interno tão eficiente. Aliás, conhece alguma outra Instituição Brasileira tão refratária ao corporativismo?).
É tempo de pensar seriamente nos grandes benefícios que resultariam da desmilitarização dessas polícias, fazendo delas verdadeiros integrantes da ordem civil que devem proteger.
(Acabou? Por favor, cite alguns dos grandes benefícios que resultariam dessa desmilitarização, pois encerrando o artigo dessa forma inócua, pouco ou nada contribuiu para a melhoria do modelo, o que é uma afronta ao seu prestígio e conhecimento).
*********
Sinceramente, senhor Dalmo Dallari, os meus mais de 31 (trinta e um) anos atuando na Segurança Pública me permitem propor uma alternativa e gostaria que pensasse sobre ela, entre uma palestra e outra.
Vamos tentar cumprir a Constituição Federal, especificamente o artigo 144?
As Polícias Militares atuando na Preservação da Ordem Pública, através do exercício da Polícia Ostensiva (Policiamento Ostensivo) e as Polícias Civis (Não Militarizada) investigando os delitos, identificando os autores e os encaminhando para o Poder Judiciário.
Eu não sei se o senhor sabe, mas a impunidade é um dos maiores problemas brasileiros e a impunidade é alimentada pelo baixíssimo índice de elucidação dos delitos por parte da Polícia Judiciária (Não Militarizada).
E aproveito para acrescentar que a "quase" certeza da impunidade é um forte estímulo para a prática de crimes.
Concorda?
Portanto, o problema não reside no fato das Polícia Militares parecerem exércitos ao ingressarem nas comunidades carentes e serem recebidas com tiros de fuzis, na verdade, o problema está no fato da Polícia Judiciária não elucidar como as armas e as drogas chegam às comunidades carentes do Brasil, quem as transporta e como as transporta, por exemplo.
Ilustre Professor e Jurista Dalmo Dallari, enquanto as Polícias Civis (Não Militarizadas) não realizarem a sua única missão constitucional, infelizmente, as Polícias Militares continuarão precisando parecerem exércitos, inclusive usando os tão criticados veículos blindados para o transporte de tropa.
Em tempo, o senhor deve conhecer tais veículos como "CAVEIRÕES" e deve criticar o seu uso.
Cumpra-se a nossa Constituição Cidadão, isso já seria um bom começo!
Juntos Somos Fortes!