VERITAS ODIUM PARIT
(A VERDADE GERA O ÓDIO)
Eu fui um preso político do governo Sérgio Cabral.
Os leitores dos meus blogs conhecem muito bem essa minha situação, mas penso ser oportuna comentar novamente esses fatos, diante do fato novo que surgiu: a acusação que pesa sobre o secretário de segurança Beltrame de improbidade e de superfaturamento dos contratos de compra e de terceirização de parte da frota operacional da Polícia Militar.
Eu fui preso arbitrariamente duas vezes no governo Sérgio Cabral.
A primeira foi uma prisão administrativa durante o movimento dos Bombeiros Militares, isso no ano de 2011. Não perderei o nosso tempo repetindo o absurdo e as ilegalidades do ato, cito apenas para demonstrar o quanto foi apartada da legislação que o comando geral da Polícia Militar apresentou dois motivos inteiramente diferentes para justificar a minha prisão, ou seja, nem o comandante geral soube dizer a razão de ter me dado voz de prisão.
A segunda prisão foi judicial, exarada pelo juízo de plantão do Fórum da Capital.
Eu e outros nove Policiais Militares, assim como dez Bombeiros Militares, fomos presos e encarcerados ilegalmente na Penitenciária Bangu 1, violentando nossos direitos e prerrogativas de militares estaduais, isso no movimento salarial unificado de 2012.
Jamais poderíamos ser jogados nas solitárias de Bangu 1, a legislação determina que o nosso acautelamento deve ser feito em quartéis.
A ordem foi do governo Sérgio Cabral, não foi uma ordem judicial, tratou-se de uma ilegal ordem administrativa.
Quem deu a ordem?
Só pode ter sido o governador Cabral ou seu vice Pezão, só eles poderiam dar essa ordem administrativa ilegal e serem obedecidos, ninguém mais.
Uma grande surpresa provocou a minha prisão em todos que souberam a motivação alegada pelo governo: crítica e incitamento à greve.
Inclusive meus companheiros de infortúnio em Bangu 1 ficaram estupefatos, pois eu sempre fui contra a greve.
Primeiro, eu nunca incitei à greve dos Bombeiros e dos Policiais, muito pelo contrário, fui contra.
Eu publiquei artigos no meu blog deixando claro que era contra a greve.
Leia um deles (Link).
Como explicar a prisão por incitamento se eu fui contra?
Sim, realmente, fui e sou um crítico do governo Cabral-Pezão, tendo escrito milhares de artigos contra os desmandos da gestão, sobretudo na área da segurança pública.
Escrevi milhares de artigos contra o governo, durante anos, e nunca fui punido disciplinarmente, nem poderia, pois estava no exercício de um direito.
Como explicar então ser preso judicialmente por crítica ao governo?
Simples, fui preso duas vezes de forma arbitraria por ser um “inimigo político do governo”.
O interesse do governo sempre foi calar a minha voz nos blogs, lidos por milhares de pessoas na época, pois preso não poderia postar artigos no blog denunciando as ilegalidades.
Denunciei várias delas ao Ministério Público, à Corregedoria Geral Unificada, às Comissões de Direitos Humanos, à Anistia Internacional, à Corregedoria Interna da PMERJ, entre outros órgãos.
A maioria delas acabou em algum arquivo ou gaveta, mas prometo retirá-las dos arquivos e das gavetas caso o governo mude de mãos no Rio de Janeiro, no momento é impossível cobrar investigações.
Apesar dessa verdade, uma denúncia aqui, outra ali, prosperou, como a denúncia que fiz sobre os caríssimos contratos de compra e de terceirização de parte da frota operacional da Polícia Militar.
Os documentos iniciais que apresentei ao Ministério Público estão inseridos no meu primeiro livro "Cabral contra Paúl - A Polícia Militar de Joelhos".
O livro não se encontra à venda.
Eu fui um preso político, talvez o primeiro após a reabertura política.
Eu denunciei ao Ministério Público por escrito e prestei depoimento, como também prestei depoimento no Poder Judiciário, isso com relação os contratos de 2007 e 2008.
No Poder Judiciário os advogados da empresa e do governo tentaram impedir meu depoimento (contradita), mas a juíza não permitiu. matéria que se segue vai começar a entender o motivo do governo me odiar tanto, ao ponto de além de me prender, buscar me expulsar da corporação.
“JORNAL O DIA
14/05/2014 00:10:08
Ministério Público acusa Beltrame de improbidade
TCE observa ‘indícios claros de superfaturamento de preços’ em contratos de aluguel e manutenção das viaturas da PM, assinados pela Secretaria de Segurança
FLAVIO ARAÚJO E JOÃO ANTONIO BARROS
Rio - Um presente de grego. No dia que completou 57 anos, o secretário de Segurança José Mariano Beltrame ganhou mais uma dor de cabeça. O Ministério Público ajuizou ação na 7ª Vara de Fazenda Pública com o pedido da condenação por improbidade administrativa do secretário e de sua ex-colaboradora Susy das Graças Almeida Avelar, além dos gestores da empresa Júlio Simões Logística S/A.
Os dois foram os responsáveis por contratos de aluguel e manutenção das viaturas da Polícia Militar, em que técnicos do Tribunal de Contas do Estado observaram ‘indícios claros de superfaturamento de preços’.
Além da condenação por improbidade, o promotor Rogério Pacheco Alves, da 7ª Promotoria da Tutela Coletiva, pede à Justiça o bloqueio dos bens do secretário, da ex-subsecretária de Gestão Estratégica e da empresa Julio Simões, além da invalidação de contratos e o ressarcimento dos R$ 134 milhões gastos pelo estado nos contratos. Contra Beltrame e Susy, o promotor pede a perda da função pública e da suspensão dos direitos políticos por oito anos (Leia mais).
Juntos Somos Fortes!