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terça-feira, 26 de setembro de 2017

UMA ENTREVISTA FALSA DO LÍDER DO PCC, MAS QUE HOJE MERECE REFLEXÕES



Prezados leitores, vocês lembram?
A entrevista circulou com sucesso nas redes até que se descobriu que era fictícia (Link).
Apesar de ser um texto montado, confrontado com a realidade atual nos provoca inquietações.

"Assustadora mas imperdível a entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola , ao jornal O Globo.
Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema.
O GLOBO: Você é do PCC?

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…
O GLOBO: – Mas… a solução seria… - Solução?

- Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
O GLOBO: – Você não têm medo de morrer? 

- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
O GLOBO: – O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o governo ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?
O GLOBO: – Mas… não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno".

Juntos Somos Fortes!

terça-feira, 25 de abril de 2017

REDE GLOBO - OS DIAS ERAM ASSIM... "VIVE A NAÇÃO DIAS GLORIOSOS"

Prezados leitores, será que esse Editorial do jornal O Globo do dia 1 de abril de 1964 será exibido na minissérie "Os dias eram assim"?




"Vive a nação dias gloriosos".
Eis  a primeira fase do Editorial.

Juntos Somos Fortes!


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

IMPRENSA ISENTA - O GLOBO E OS FORTES DO RIO DE JANEIRO



Prezados leitores, está circulando pelos grupos de Whats App uma interessante explicação sobre os fortes do Rio de Janeiro. 

"Imprensa isenta 
“O Globo” e os fortes do Rio de Janeiro 
No último dia 26 o jornal “O Globo” publicou a seguinte carta de um leitor: 
O abuso de autoridade da Marinha, cercando parte da orla olímpica – só no Brasil – faz-nos pensar para que servem hoje, do ponto de vista militar, os fortes de Copacabana, Leme e Urca. Afinal, piratas franceses e holandeses há muito abandonaram as nossas praias. Transformados em parques públicos, eles melhor atenderiam à população e aos turistas, inclusive franceses e holandeses. 
O. J. – Rio 
Procurando passar ao largo de polêmica sobre imprecisões históricas da carta e, antecipadamente, sabendo da mínima possibilidade do jornal publicar minha resposta, enviei o seguinte texto: 
Tomo a liberdade de prestar um esclarecimento ao Sr O. J. que ontem, 26 de dezembro, sugeriu a transformação dos fortes de Copacabana, Leme e Urca em parques públicos, já que, em suas palavras, não existe mais perigo de invasões francesas e holandesas. 
Sr. O., a denominação de forte tem conotação histórica e não mais bélica, como aliás acontece em qualquer parte do mundo que tenha orgulho e cultue o seu passado. Exemplos de fortes que se transformaram em museus, universidades mantendo, por respeito e tradição, a denominação original, são incontáveis. Isto acontece também com velhos navios, como por exemplo o cruzador Aurora, importantíssimo na eclosão da revolução russa de 1917, agora placidamente ancorado no rio Neva, em São Petersburgo, que hoje é um museu e pode ser visitado gastando-se uns poucos rublos. Devo lembrar que, no caso dos fortes citados por VS no Rio de Janeiro, há muito seus portões estão abertos ao público em geral. 
O Forte de Copacabana abriga o Museu Histórico do Exército, um dos locais turísticos mais visitados do Rio. Além da belíssima vista, o turista poderá desfrutar das exposições permanentes ou temporárias, entender o significado do movimento conhecido como “Os 18 do Forte”, percorrer as bem cuidadas alamedas, visitar as antigas e desativadas cúpulas dos canhões 305 e 190 mm, ter uma noção de como eram feitos os cálculos dos tiros, assistir a concertos de corais, conjuntos de choro e festivais literários e lanchar na Confeitaria Colombo, isto tudo acompanhado, se assim desejar, por guias muito bem preparados. Não sei se é esta sua ideia de parque público. 
No bicentenário Forte Duque de Caxias, que o Sr. chama de Forte do Leme, funciona desde 1965, (com todo respeito, sua observação sobre o uso bélico da unidade está atrasada em mais de 50 anos ...) o CEP – Centro de Estudos de Pessoal, uma notável organização que congrega professores, alunos e pesquisadores, civis e militares, dedicados ao estudo das ciências humanas e que é referência internacional nestes assuntos. Quando lá estiver, suba o morro por excelente e até bucólica estrada --- existem vans da própria unidade para fazer o transporte --- e chegue ao Forte do Vigia, onde vai desfrutar de uma vista deslumbrante do Leme, Copacabana e praias da vizinha Niterói. Aliás, em Niterói também existem fortes e fortalezas que podem ser visitados sem problemas. 
Na Urca, onde fica o Forte São João, funciona o complexo voltado para a Capacitação Física do Exército, que, presumo, o Sr já conhece pelas notícias e fotos publicadas na imprensa de equipes e seleções nacionais dos mais diversos esportes treinando e, principalmente, buscando novos conhecimentos em suas modernas instalações. Se tem filhos ou netos pequenos aproveite, é tempo de colônia de férias aberta ao público em geral, mas, como em todo lugar organizado, é preciso fazer previamente a devida inscrição. Funciona também lá a Escola Superior de Guerra, denominação histórica de um centro respeitabilíssimo de estudos e pesquisas sobre o Brasil, que se caracteriza por ser um foro democrático e aberto ao livre debate, onde, entre conferencistas e estagiários, provavelmente o Sr. O.J. encontrará mais civis que militares. 
Nestes lugares, Sr O., o visitante está sob a proteção do Exército Brasileiro, portanto não será ameaçado por assaltantes, batedores de carteiras, pivetes, trombadinhas, nem incomodado por camelôs, flanelinhas, pedintes e assemelhados. Não sei se é assim em seus tão sonhados parques públicos. Do visitante só se exige ser civilizado ou seja, usar trajes adequados, não jogar lixo fora dos lugares devidos, não pisar nos canteiros e gramados, manter atitude respeitosa com a História que está impregnada nestes monumentos. Ah, sim, ia esquecendo de dizer que em suas visitas certamente encontrará com franceses e holandeses, mas fique tranquilo, são turistas e não invasores. 
Cesar Augusto Araripe Lacerda
OBS – Como já era esperado, o jornal nada publicou. 

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