Prezados leitores, ontem anunciei no Face que hoje publicaria o presente artigo e percebi em alguns comentários que ignoraram o fato do título ser uma pergunta e não uma afirmação, o que demonstra como o tema é polêmico e que pode provocar inclusive um tipo de cegueira.
Na verdade o cerne da reflexão que proponho é a inércia do povo brasileiro diante da gravidade da situação nacional.
Eu considero tal imobilidade estarrecedora e tenho procurado enfrentá-la e entendê-la, não aceitando a resposta fácil de que o povo brasileiro é covarde, sendo essa a razão de não lutar pelos seus direitos e permitir a implantação do regime cleptocrático que vivenciamos no Brasil.
Tenho buscado as causas da inércia, considerando ser indispensável para a solução de qualquer problema o seu pleno conhecimento.
Minha primeira conclusão sobre causa desse terrível mal, exposta em incontáveis artigos e vídeos, é a falta de cidadania da população.
É certo que quem não se reconhece como cidadão, não tem o entendimento necessário para identificar as relações entre o Estado (governo) e o povo no tocante aos direitos e deveres.
Também não tenho dúvida de que a falta de cidadania é a decorrência natural da péssima educação pública oferecida ao povo, o que produziu (e continua em franca produção) mais de cinquenta milhões de analfabetos completos e analfabetos funcionais.
Até aqui nenhuma novidade para os nossos leitores habituais.
A reflexão que proponho se resume a tentar identificar outros fatores que possam contribuir para essa inércia e aproveito para solicitar o encaminhamento de opiniões sobre o tema (pauloricardopaul@gmail.com).
Nesta busca tenho que considerar temas que alcancem a maioria da população, caso contrário não servirão como parâmetro.
Seguindo esse raciocínio propus o questionamento que serve de título para o artigo, tendo em vista que um aspecto positivo do nosso povo é a enorme religiosidade, inclusive uma religiosidade plural cujo culto de cada uma é assegurado por mandamento constitucional.
Neste ponto, creio que os leitores atentos já tenham percebido que nada tenho contra a religiosidade, faltando apenas deixar claro que o que se segue não tem por objetivo promover uma discussão teológica.
Todos devem concordar comigo que a maioria das religiões praticadas no Brasil é de origem criacionista, onde a base é a existência de um Deus criador de todos e de tudo.
Apenas para facilitar a exposição de uma forma didática e sendo prático, lembro que a maioria dos criacionistas brasileiros aceita Deus como criador e como gestor universal.
Tal crença fez surgir ao longo dos séculos expressões como "a vontade de Deus", "os mistérios de Deus" e "o tempo de Deus".
Longe de criticar tais ideias, confesso acreditar que elas possam levar ao conformismo, quando aliadas à falta de cidadania.
Sim, existem povos tão ou mais religiosos que o brasileiro, mas que lutam por seus direitos, mas nestes povos o valor da cidadania existe, o que constitui a grande diferença.
Salvo engano, o que vivemos na maioria da população brasileira pode ser assim resumido:
O povo não tem educação, não possui os valores da cidadania, mas crê que Deus proverá a solução, isso segundo a sua vontade e ao seu tempo", por isso não luta por meus direitos.
Em outras palavras:
Será que a inércia da quase totalidade do povo brasileiro no tocante à luta por seus direitos, provém da falta de cidadania e também da esperança de que Deus solucionará a questão, quando tiver vontade e considerar ser o tempo certo?
Será que no Brasil a religiosidade contribui para a inércia?
Prezados leitores, sejam quais forem as suas conclusões, penso que concordarão comigo pelo menos no tocante ao fato de que não podemos mais aceitar passivamente o Brasil atual, onde centenas de milhares de pessoas morrem por ano em razão da violência e da falta de atendimento médico.
Como não reverteremos a falta de cidadania tão cedo, só me resta torcer para que eu esteja errado e que a fé (religiosidade), ao invés de contribuir para a inércia, dê forças a todos para lutarmos por um Brasil digno e justo para nossa descendência.
Juntos Somos Fortes!