JORNALISMO INVESTIGATIVO

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sexta-feira, 24 de março de 2017

CRÍTICAS E SUGESTÕES ( 4 ) - A PRETENDIDA POLÍCIA CIDADÃ - CORONEL PM REF HERRERA



Prezados leitores, eis o quarto da série da lavra do Coronel PM Ref Herrera.

CRÍTICAS  E  SUGESTÕES  (4)
A  PRETENDIDA  POLÍCIA  CIDADÃ
                                                                    
Hoje vemos um país que está à deriva,
que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser”
(Gen Ex EDUARDO DA COSTA VILLAS BOAS, Comandante do Exército)


O Brasil é o único país do mundo que mantém atividades policiais, em nível estadual, a cargo de instituições diferentes: a Polícia Civil e a Polícia Militar. Originaram-se do nosso processo de colonização, tendo permanecido no Império e na República. E não há como banir a História na equação de soluções atuais.
Países desenvolvidos também possuem organismos policiais diversos, entretanto com duas importantes diferenças: são de âmbito nacional e atuam com ciclo completo, ou seja, cada qual procede ao desempenho de ambas as funções de polícia, delimitadas apenas as respectivas áreas geográficas de atuação.
Sem rodeios, não me inibo em afirmar que, além da velha cantilena da nossa Esquerda festiva, quem mais deseja a “desmilitarização da PM”, em verdade, são os maus policiais militares: ocultos criminosos que se valem da arma e da carteira que a sociedade lhes deu. Mas, se fossem policiais civis, seria bem mais lenta e complexa a apuração dos desvios de conduta e a decorrente exclusão do serviço público.
A meu ver, em sua descuidada redação, estipula o § 5º, do art. 144, da Constituição federal: “Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”. Ou seja, em cada Estado e no Distrito Federal, incumbe à respectiva Polícia Militar a função de polícia de segurança (ou administrativa), com a missão precípua de manutenção da ordem pública.
Do mesmo modo, compete à Polícia Civil o desempenho das funções de polícia judiciária (em suas variantes de polícia de investigações e de polícia técnica) “e a apuração de infrações penais, exceto as militares”. Porém, de forma insofismável, vem atuando com nítido desvio de função, executando privativas funções de polícia de segurança, por meio de operações ostensivas, sendo dotada de viaturas blindadas, helicópteros, canil, esquadrão antibombas, e até pessoal uniformizado! 
A desorganização administrativa do Estado (com parcos recursos para a Segurança Pública), ante o descontrolado aumento da criminalidade, poderia explicar o desvio de função da Polícia Civil. Mas não se pode justificar, pois passou a atuar de forma indevida. Até seria, como no dizer popular, “descobrir um santo para cobrir outro”. A Polícia Civil, que já apresenta crônico mau desempenho de suas precípuas funções, pouco acrescenta quando, desviada, atua como “polícia ostensiva”.
Atualmente cresce o clamor público por uma Polícia Cidadã, para culminar com a fusão das polícias estaduais. Mas será a mera desmilitarização da PM a milagrosa solução dos males da Segurança Pública?
Será que essa ansiada Polícia Cidadã (?), resultante da fusão das atuais Polícias Civil e Militar, será a solução salomônica para tornar-se eficaz e eficiente, e, num passe de mágica, livrar-se do ranço de suas falhas e vícios? Ou será mera panaceia política?
E será mesmo oportuno tratar de assunto tão complexo no momento atual em que “vemos um país que está à deriva, que não sabe o que deve ser”?
Ou, sob o festivo viés esquerdista, seria esta uma excepcional oportunidade para levantar tema tão polêmico, no jogo sujo do “quanto pior, melhor”, visando a escusos objetivos?
A recente paralisação dos policiais militares no Espírito Santo demonstrou, embora de forma trágica, que a extinção da PM se torna improvável, haja vista não haver outro organismo que, de pronto, a possa substituir. A região da Grande Vitória foi abalada por intenso caos, mesmo com a Polícia Civil atuante e, ainda, com o eventual emprego de tropas da Força Nacional e do Exército. Torna-se difícil e complexo substituir o efeito capilar do policiamento ostensivo: estar, diuturnamente e ao mesmo tempo, nas mais variadas localidades.
No Rio de Janeiro, concomitante à recente atitude reivindicatória dos PM (por meio das manifestações de seus parentes), os policiais civis permanecem em greve, desde 30 de janeiro, mas de forma legal, pois lhes são garantidos os direitos de sindicalização e de greve. E o que dizer também da recente greve no DETRAN/RJ? E quando os serventuários da Justiça paralisam suas atividades?
São graves interrupções de serviços públicos essenciais, muito prejudiciais a cada cidadão e à Sociedade como todo. Mas parece que, nas manchetes midiáticas, só a velha Polícia Militar se torna foco de preocupação e de críticas severas.
Em sã consciência, será esta Polícia Civil que aí está, que todos conhecemos –  também mal preparada e mal remunerada, há tempos desviada de sua precípua função de polícia judiciária, com direito de greve e sujeita aos meandros da luta sindical, com notória ineficácia (estatísticas mostram 5% apenas de elucidação de crimes no Brasil),  – será esta a Polícia Cidadã que os cidadãos de bem tanto almejamos? 
A conferir. Se estivermos munidos de boa-fé, devemos refletir muito em busca de melhores soluções.
Mas, por favor, que os leitores analisem sem paixões humanas e sem destorcido espírito de corpo, atendo-se apenas aos fatos, para que eu não seja acusado de fomentar a cizânia entre policiais civis e militares.

NELSON HERRERA RIBEIRO, Cel PM Ref, advogado e professor



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domingo, 26 de fevereiro de 2017

O QUE É ISSO? POLICIAMENTO DE PROXIMIDADE, POLICIAMENTO COMUNITÁRIO, PACIFICAÇÃO OU INVASÃO?



Prezados leitores, a notícia publicada no jornal Extra nos trouxe enorme surpresa, tendo em vista que viola por completo a tão desejada integração dos moradores das comunidade "pacificadas" com a Polícia Militar.
Certamente, o Comando Geral desconhece essa prática, notícia essa que se ganhar as redes nacional e internacionais, servirá para desmoralizar ainda mais o único projeto na área da segurança pública implementado no Rio de Janeiro em dez anos.

"Jornal Extra
26/02/17 06:00 
Policiais ocupam, sem permissão, casas de famílias no Complexo do Alemão 
Rafael Soares 
Quando chegou ao Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, no final dos anos 1980, o mestre de obras aposentado, hoje com 72 anos, teve que transformar uma casa de estuque, com um só cômodo, no lar da família. Aos poucos, reforçou a fundação, construiu quartos, equipou cozinha e sala. Na casa, situada na Praça do Samba, nasceram e cresceram as duas filhas que ele teve com sua mulher. Mesmo com problemas de saúde — ele teve que amputar uma perna e ela, aos 65 anos, sofreu um aneurisma —, nesse ano, o casal tinha planos de aumentar o imóvel para que uma das filhas passasse a morar no segundo andar. Há duas semanas, material de construção já comprado, o sonho teve de ser adiado: em meio a um tiroteio, PMs com fuzis subiram na laje e não saíram mais.
Desde então, três policiais da UPP Nova Brasília se revezam, por turnos, no local. De cima da laje, atiram em direção a traficantes, se protegem de disparos atrás de uma geladeira que a família guardava ali — e que parou de funcionar — e fazem suas necessidades — há várias garrafas com urina no local. O EXTRA visitou a Praça do Samba na manhã da última quinta-feira. Na ocasião, além da casa do casal de idosos, PMs ocupavam o segundo andar de um imóvel vizinho. Outras três famílias afirmam que suas casas também já foram invadidas (Leiam mais)". 

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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

URCA, BAIRRO SÍMBOLO DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO, SOFRE COM "PACIFICAÇÃO"



Prezados leitores, a Urca foi o bairro símbolo do policiamento comunitário no Rio de Janeiro, logo que esse conceito foi introduzido na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
O falido projeto de "pacificação" e do "policiamento de proximidade" conseguiram espalhar a violência por todos os municípios e em todos bairros.
A violência chegou até a Urca...
Viver no Rio de Janeiro é muito perigoso, a cada dia mais perigoso, apesar dos esforços dos Policiais Militares e dos Policiais Civis.

"Jornal Extra
20/10/16 12:57  
PM reforça policiamento na Urca após tiroteio deixar feridos
Policiais militares do 2º BPM (Botafogo) estão reforçando o policiamento no bairro da Urca, na Zona Sul do Rio, após um tiroteio deixar três feridos. Segundo informações da PM, dois homens tentaram roubar um carro na Avenida Venceslau Brás - o veículo é blindado. Houve troca de tiros com seguranças. No confronto, os suspeitos foram baleados. Eles seguiram para o Hospital Miguel Couto, na Gávea, também na Zona Sul. uma mulher que passava pelo local também ficou ferida e foi levada para a Policlínica de Botafogo. Nâo há informações sobre o estado de saúde dos feridos. O caso será registrado na 9ª DP (Catete) - (Leia mais)".

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terça-feira, 3 de julho de 2012

( 01 ) POR QUE A "POLÍTICA" DE SEGURANÇA PÚBLICA DO GOVERNO SÉRGIO CABRAL FRACASSOU?


Prezado leitor, se você seguiu o conselho contido no primeiro artigo sobre esse tema, na direção de conhecer os planos do então candidato Sérgio Cabral (PMDB) para a área da segurança pública (2006) e comparou com as ações desenvolvidas nesses seis anos, deve ter chegado a conclusão que eu cheguei: Nunca existiu uma política de segurança pública no atual governo. Caso não tenha lido a introdução, aconselho que o faça nesse momento antes de seguir na leitura desse segundo artigo (Leia).
Em apertada síntese, os planos do candidato e as suas ações depois de eleito merecem os seguintes comentários:
- Eles contêm lugares comuns da temática, algo como perfumaria, para cheirar bem, mas sem a limpeza indispensável. Embora façam referência a melhor qualificação e valorização dos Policiais Militares e dos Policiais Civis, isso não aconteceu, ou seja, o policial foi ignorado, logo ele o centro do processo, inação que conduz ao fracasso. O governo só deu reajustes após ser pressionado por atos públicos de protestos realizados por Policiais e Bombeiros Militares, principalmente. Insistiu na política de gratificar alguns grupos ao invés de pagar salários justos para ativos e inativos, pondo fim à paridade e subvertendo a hierarquia. Soldados do BOPE, por exemplo, ganham mais que Sargentos de outros batalhões, em face da gratificação que recebem.
- Em termos de aumento dos efetivos policiais, a Polícia Civil ficou estagnada, enquanto a Polícia Militar foi agigantada para atender às inaugurações de UPPs, o que condenou os Policiais Militares a receberem salários miseráveis eternamente. Pior, na instituição policial organizada militarmente, o governo facilitou as provas de acesso ao curso de formação de Soldados, contribuindo para a piora na qualidade da tropa. Isso sem falar na insistências nas promoções por tempo de serviço, onde não existe a meritocracia proveniente da melhor qualificação.
- No que diz respeito aos investimentos na perícia criminal, eles não apareceram e caso tenham existido ainda não melhoraram em nada a taxa de elucidação de crimes por parte da nossa polícia investigativa, a Polícia Civil. Nem a transferência do Instituto Médico Legal pode ser comemorada, as obras se arrastaram por longo tempo e logo após a inauguração apresentaram problemas. Além disso, na contramão da maioria dos estados brasileiros, a perícia permaneceu atrelada à Polícia Civil, não se tornou independente.
- O ponto mais interessante dos planos, quando comparado com as ações é o fato de que nos planos não existe citação quanto ao investimento no policiamento comunitário, atualmente conhecido como policiamento de proximidade. Em outras palavras, nem sinal das Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs. Ao contrário, dão ênfase à ampliação das atividades repressivas com investimentos no BOPE e na CORE. Essa parte foi concretizada, pois o governo até hoje entrega o tiro, porrada e bomba, sobretudo nas comunidades carentes, sendo as ocupadas por UPPs (minoria) as que fogem à regra. Não custa lembrar que a primeira UPP só surgiu no meio do mandato, isso em dezembro de 2008.
Eis alguns dos problemas que deram origem ao fracasso, mas não podemos esquecer que o governador encontrou dificuldades na área da segurança pública, como tratarei no próximo artigo.
Juntos Somos Fortes!