A Polícia Militar já vivia dias muito difíceis quando o senhor Sérgio Cabral (PMDB) assumiu o governo estadual, isso em 2007. Portanto, culpar a sua gestão pela situação famélica da corporação e dos seus integrantes constitui uma enorme injustiça. O atual governo pode ser responsabilizado pela não solução dos problemas e pelo agravamento da crise, isso sim significa trilhar a verdade, mas nunca pela origem deles.
O caos na gestão governamental agravou problemas que os Policiais Militares já enfrentavam, como os salários miseráveis e as péssimas condições de trabalho. Os problemas pretéritos foram agravados pelo gigantismo não planejado da PMERJ, um crescimento voltado apenas atender o projeto eleitoral de usar as UPPs como propaganda do governo para a reeleição, o que determinou a instalação de uma UPP após a outra.
Os concursos para Soldado PM se sucederam, as provas foram facilitadas, edital não foi respeitado (2008) e o Centro de Formação de Praças foi superlotado para que fossem "fabricados" o maior número de PMs no menor espaço de tempo, isso para implantar as UPPs eleitoreiras.
Abrigando milhares de alunos sem que fosse providenciada a estruturação devida, passaram a faltar instruções e materiais (uniformes, inclusive) no CFAP, além disso os alunos começaram a vivenciar dificuldades diversas, como a falta de água e para se alimentarem, permanecendo mais de uma hora em pé esperando para entrar no Rancho. Desumano.
A incorporação de milhares de novos PMs agravou também o problema do atraso na implantação dos pagamentos, fazendo com que os alunos ficassem meses sem receber, o que fez com que muitos procurassem as financeiras para saldar suas dívidas e para arcar com as despesas próprias do curso (transporte e compra de uniformes, por exemplo), o que fez com que concluissem o curso já inteiramente endividados.
O PM sai do CFAP cheio de dívidas.
O problema se alastrou para a mudança dos vencimentos de aluno (recruta) para Soldado pronto, fazendo com que hoje muitos recebam como recrutas, embora tenham se formado há alguns meses, como ocorre em algumas UPPs. Se não bastasse isso, a prefeitura também demora a começar a pagar a gratificação das UPPs, além de atrasar o pagamento de quando em vez após o início dos pagamentos, prejudicando ainda mais os endividados jovens PMs.
Os erros governamentais provocam graves problemas financeiros para os PMs e trazem a indesejada desmotivação.
O crescimento do efetivo afetou também a assistência médica, tendo em vista que cada novo PM carrega três dependentes para o sistema de saúde da Polícia Militar, o qual não foi ampliado. Na prática a entrada de mais 6.000 soldados aumenta em 24.000 o número de usuários do sistema, agravando o que já estava em crise.
Obviamente, não podemos culpar a Polícia Militar por estes problemas, afinal os gestores da PMERJ estão apenas cumprindo ordens do governo e obedecer aos políticos é algo para o que estamos sendo condicionados a fazer sem qualquer ponderação.
Uma frase histórica reflete bem a situação que estamos vivenciado:
"Independência ou morte!"
Ou a PMERJ rompe as correntes da subserviência política, ou morre.
Juntos Somos Fortes!