CRÍTICAS E
SUGESTÕES (2)
A
SOCIEDADE E O
PM
“A
Polícia é o termômetro que mede o grau de civilização de um povo”
(Citação no Manual da
PMERJ))
Muitos de nós sempre ouvimos que “o
Brasil é o país do futuro”. Ao longo dos anos, entretanto, o panorama
nacional sempre foi o de escolas deficientes, hospitais sucateados, crônica
crise de desemprego, precária segurança pública, e tudo flutuando no oceano da
nefasta corrupção de governantes. Com justa razão o povo desilude-se.
Porém, em contraponto, todos soubemos
de fatos alarmantes recentemente.
Cidadãos comuns promoveram saques em
Vitória-ES no período de paralisação dos
serviços da PM, assim como nas manifestações de
servidores públicos no Rio de Janeiro-RJ.
Recente auditoria procedida no INSS constatou
32.0000 pessoas acusadas de fraudar o auxílio-doença. Apurou-se que, em 2016,
quase 4 milhões de motoristas burlaram o pedágio somente nas estradas
paulistas. Somente neste Carnaval de 2017, a PRF anunciou 1.222 autuações por embriaguez ao volante nas estradas federais,
e a PMERJ informou 2.154 atendimentos de casos
de violência contra a mulher. Já se tornou praxe ver centenas de pessoas
saqueando cargas de caminhões sinistrados. O cruzamento de dados do TCU com TSE e Receita
Federal mostrou que foram irregulares mais da metade de doações para campanhas
eleitorais de 2016.
Torna-se público e notório o estado
de calamidade em que está a Segurança Pública no país ante cerca de 60.000
assassinatos e de 20.000 pessoas desaparecidas por ano, afora milhares de
condenações a agravar a superlotação das nossas penitenciárias.
O heroico movimento dos bombeiros
militares, em 2012, no Rio de Janeiro, não logrou obter expressivo apoio
popular para suas justas reivindicações: remuneração condigna e melhores
condições de trabalho. Mesmo na passeata em Copacabana (a maior) houve, se
tanto, 20.000 pessoas em toda a orla. Porém, logo após o Carnaval de 2017, a
cantora Anitta conseguiu arrastar 400.000 pessoas para o Bloco das Poderosas
no Centro da cidade. Também o Monobloco levou 500.000 pessoas às
ruas. São fatos deveras muito interessantes.
Pesquisa realizada pelo Instituto
Data Folha, em abril/2013, concluiu que a PMERJ está no topo do ranking da
extorsão policial no país. Preocupante, sem dúvida, até porque não se conhece o perfil do universo
pesquisado. E também cabe dupla interpretação: a de que seria talvez forte
indício da desagregação moral da nossa sociedade, já que o ato da corrupção
traduz, necessariamente, contrato informal entre partes: o corruptor
e o corrupto; o crime de corrupção não pode ser
individual.
Ocorre que todos os policiais
brasileiros são recrutados nessa mesma sociedade e a ela juram servir, com
o sacrifício da própria vida. Como, aliás, já fizeram muitos deles. Até
o momento, em menos de 3 meses de 2017, já foram mortos 39
policiais militares: alarmante média de 1
PM assassinado a cada 2 dias!
Essa rotina já faz parte de nossa maldita
Herança Beltrame. Nossos heróis esquecidos. Infelizmente até pela
própria Polícia Militar.
Pergunta final para profunda reflexão
dos leitores: Se nascido, criado, mal formado profissionalmente, tendo de
conviver e trabalhar em cenários brasileiros, como se pretender exigir
do nosso policial militar seu desempenho em padrões europeus?
A população está a exigir mudanças.
Necessárias, sem dúvida. E urgentes. Mas não basta ficarmos apenas no mero
maniqueísmo de ser ”contra a Polícia Militar”. Senão, estaríamos sendo
tragados pela vazia retórica da nossa Esquerda festiva, que nada
constrói e a nada conduz. Algo há de mais profundo.
NELSON
HERRERA RIBEIRO, Cel PM Ref, advogado e professor



