Prezados leitores, a seguir transcrevemos um texto do Coronel PM Ref Paulo Ricardo PAÚL:
"A DIFÍCIL MISSÃO DE DEFENDER A POLÍCIA MILITAR E OS POLICIAIS MILITARES
No Rio de Janeiro, a missão de defender os Policiais Militares e a Polícia Militar (PMERJ) é muito ingrata.
Um misto de ação e de omissão dos Oficiais e dos Praças ao longo das últimas décadas fez com que tanto a corporação, quanto seus integrantes, sofressem um processo de descrédito muito grande.
Infelizmente, as incontáveis ações positivas não ganham o devido destaque e os atos criminosos praticados por significativa parte do efetivo de Oficiais e de Praças são acompanhados de uma repercussão gigante.
A situação que vivenciamos me faz lembrar de uma frase que ouvia na antiga Escola de Formação de Oficiais (atual Academia de Polícia Militar D. João VI), no final da década de setenta, quando ainda era insipiente a ideia da necessidade da propaganda institucional:
- O fato de um cachorro morder um PM não é notícia, mas o dia que um PM morder um cachorro, isso será manchete de primeira página de todos os jornais.
Uma verdade!
Os fatos inusitados são transformados em notícias, isso é uma regra, portanto, quando um Policial Militar (Oficial ou Praça) pratica um fato criminoso, situação que deveria ser inusitada, anormal, logo estará povoando o noticiário nacional e internacional, dependendo da gravidade do crime praticado.
Infelizmente, a frequência com que Oficiais e Praças da Polícia Militar praticam crimes é tão expressiva que, embora a situação continue sendo inusitada, deixou de ser anormal e rotulou a todos nós.
É comum ouvirmos que não existe modalidade criminosa praticada no estado que não tenha o envolvimento de Policiais Militares.
Pior, o noticiário prova que tal afirmação é a expressão da verdade.
Isso sem falar no fato de que a instituição e o integrante são representados pela mesma sigla: PM.
Um erro absurdo em termos de formação de imagem, pois o erro de um PM refleta na PM.
O Policial Militar que devia ser um herói por natureza, acabou se transformando na prática no "bandido fardado", como os políticos gostam de dizer sempre que explode a participação de Policiais Militares em qualquer ato criminoso.
Sim, os heróis continuam existindo, homens e mulheres, Oficiais e Praças, honrados e competentes que diuturnamente arriscam a própria vida na missão de servir e proteger a população, porém as suas ações positivas são incapazes de reverter o quadro.
Na verdade os heróis são derrotados pelos anti-heróis que também vestem a gloriosa farda azul da Polícia Militar.
A denominada "banda podre" condena todos os Policiais Militares ao prejulgamento de "bandidos fardados", não podemos negar tal verdade.
Isso nos fez perder até o direito à presunção de inocência diante do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Eu iniciei o texto citando ação e omissão, o que passo a justificar.
A ação da "banda podre" está nos destruindo.
A omissão da "banda boa" está nos destruindo.
Diante disso é fácil concluir que todos nós estamos destruindo a PMERJ.
Urge que nasça e cresça na Polícia Militar um núcleo duro formado por Oficiais e por Praças da "banda boa" e que tal grupo deixe de ser omisso, sendo o primeiro a tentar controlar as ações deletérias da "banda podre", caso contrário a nossa amada corporação continuará sendo defenestrada pela imprensa e pela população, apesar de heróis continuarem morrendo diariamente na missão de servir e proteger o povo.
Eu sempre tentei formar esse núcleo duro, desde o início da carreira, tanto que passei boa parte da minha vida profissional na área correcional, inclusive exercendo a função de Corregedor Interno por quase três anos.
Além disso, fui um dos idealizadores do grupo dos Coronéis Barbonos, criado para defender a Polícia Militar e os Policiais Militares dos desmandos políticos, tendo participado de incontáveis mobilizações.
O grupo lutou, apanhou e acabou.
Eu fiquei no campo de batalha e o nosso blog é a maior prova da nossa insistência no combate.
Ele existe desde 2007, sempre buscando defender os interesses da Polícia Militar e dos Policiais Militares, o que me fez habitualmente ficar contra as ações do governo que ferissem os interesses corporativos, o que provocou diversas represálias por parte dos poderosos políticos.
Não desisti, ousei e escrevi o primeiro livro, nesse mês lanço dois novos livros, não para obter qualquer lucro, mas para não deixar a verdade histórica se perder.
Ao longo dos últimos anos, as represálias foram tantas que me prenderam ilegalmente duas vezes, tentaram me expulsar da Polícia Militar e, ainda, me jogaram nas solitárias de Bangu 1.
Só aumentaram a minha determinação, mas ela nada vale se eu for um infante solitário.
O que eu fiz até a presente data foi apenas cumprir o meu dever de Coronel da Polícia Militar, nada além disso.
Optei por integrar a "banda boa" e por não ser omisso, isso para salvaguardar a Polícia Militar.
Devo deixar claro que pelo exemplo mostrei que não basta ser honesto e preciso combater os desonestos.
É hora dos Oficiais e dos Praças da PMERJ criarem o núcleo duro que eu tentei e fracassei.
Sem ele, a cada dia será mais reforçado o rótulo de que não passamos de "bandidos fardados".
Algo que certamente envergonha uma parcela dos Oficiais e dos Praças, mas que acima de tudo é uma grande injustiça com relação aos heróis que ainda vestem a nossa gloriosa farda azul.
Eu estou fazendo a minha parte, por favor, faça a sua.
Juntos Somos Fortes!