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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

AS POLÍCIAS DEVEM TER UMA ENTRADA ÚNICA - VOCÊ CONCORDA?



Prezados leitores, o sistema policial brasileiro precisa ser reestruturado o mais rapidamente possível, pois foi concebido de forma equivocada (erro de projeto), fazendo do Brasil o único país que possui "meias polícias", ou seja, polícias que não realizam o ciclo completo do trabalho policial.
Infelizmente, quando o tema é mudar o sistema policial, o tema recorrente é a desmilitarização das Polícias Militares, quando existem alterações muito mais significativas a serem implementadas como o ciclo completo nas duas polícias estaduais.
A carreira policial ter uma porta de entrada única é outro tema fundamental, pondo fim aos concursos para Oficial e para Delegados, fazendo com que todos ingressem pela base da hierarquia e ascendam através da meritocracia (concursos e cursos internos).
Os procuradores se mostraram favoráveis à porta única de entrada, assim como, pela independência da perícia criminal, outra importante mudança.
Qual é a sua opinião?

"YAHOO NOTÍCIAS 
Procuradores se postam ao lado de agentes da PF na véspera da votação que pode dar superpoderes a delegados federais 
Por Claudio Tognolli 
Seg, 3 de nov de 2014 
(...) 
“As polícias devem ser estruturadas em forma de carreira com entrada única, submetendo-se à estruturação hierárquica de acordo com experiência, mérito e formação técnica. A atividade pericial deve gozar de autonomia e carreira própria”. 
(...) 
Leia mais (link).

 Juntos Somos Fortes!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

POR QUE A INVESTIGAÇÃO POLICIAL É TÃO RUIM NO BRASIL?



Prezados leitores, as Polícias Militares do Brasil estão longe da eficiência que a população merecia, mas temos que reconhecer que por sua vez as Polícias Investigativas também deixam muito a desejar.
No Brasil investigamos muito mal, uma deficiência que começa na formação do investigador (policial) e na formação dos denominados "operadores do direito", passando pela não valorização das atividades periciais.
Um terço dos estados ainda não transformou a perícia criminal em uma atividade independente com gestão e carreira própria.
O Rio de Janeiro, por exemplo, está incluído no grupo dos ultrapassados, aqui a perícia faz parte da Polícia Civil, um grande atraso.
Ontem, recebemos por e-mail um ótimo artigo que bem retrata a péssima qualidade da nossa investigação policial.

"MEDO EM SÉRIE
* Por Fabricio Rebelo 
Goiânia, capital do estado de Goiás, se tornou destaque na mídia brasileira e internacional. A ocorrência de assassinatos em série na cidade, vitimando mulheres, vem repercutindo constantemente nos principais jornais do país, chegando às páginas do The New York Times, nos Estados Unidos, e ao portal holandês HLN.be. Desde o início dos ataques, foram vitimadas fatalmente 15 mulheres, com ao menos mais duas investidas frustradas. São números relevantes, que recrudescem a já preocupante tendência de alta de homicídios na cidade, cujas taxas aumentaram mais de 45% em uma década, como apontou a edição 2014 do Mapa da Violência. 
Diferentemente dos crimes ditos comuns, que têm a motivação patrimonial como elemento característico, os ataques intencionalmente letais, dissociados de outros objetivos, são um fator significativamente potencializador do medo na sociedade. Afinal, ao contrário daqueles em que o criminoso é movido pelo desejo de subtrair algo de valor de suas vítimas, ou mesmo daqueles em que busca saciar um impulso sexual, nos assassinatos em série o que se objetiva é puramente a morte. E, se a morte é o objetivo do criminoso, não há receita para diminuir os riscos de ser vitimado, a não ser se esconder. Contra alguém movido por uma psicopatia homicida, a proteção se resume a não se expor a nada, nem a ninguém. 
Os crimes de Goiânia bem demonstram a sensação de impotência da sociedade, pois foram registrados sob as mais diversas situações. A qualquer hora, sem áreas de risco pré-definidas, um indivíduo numa motocicleta se aproxima e atira - ao que se apurou, sem nem mesmo estabelecer um contato com sua vítima. Para quem precisa andar pelas ruas, como se defender? 
Contar com a polícia para esclarecer a autoria dos ataques e prender o criminoso é, claramente, insuficiente. Depois do primeiro assassinato, mais 14 mulheres perderam a vida até que surgissem os iniciais indícios de um suspeito. Para elas e suas famílias, nada do que acontecer depois tem a possibilidade de recompor suas perdas ou amenizar a dor. 
É difícil dizer o que move a sanha assassina de um criminoso em série, quase sempre permeada por um grave distúrbio psíquico. Porém, é simples identificar um elemento que facilita sua ação: a fragilização da sociedade, de quem se retirou os meios de autodefesa. Ações destemidas e reiteradas, como as do assassino serial de Goiânia, só são possíveis porque não há, para ele, o risco de ser confrontado por suas vítimas ou, principalmente, por alguém que testemunhe o ataque. 
Sempre que acontece um assassinato em massa nos Estados Unidos, nos acostumamos a ver surgir por aqui requentadas discussões sobre um maior controle de armas, ainda que, invariavelmente, isso não possa ter o mais ínfimo efeito para conter as ações. Com ataques de assassinos em série, impõe-se a discussão em outro sentido, desta vez com uma propriedade muito maior, relativa à permissão de que potenciais vítimas possam se defender ou ser defendidas por quem testemunha uma agressão. 
Não se trata, como muitos insistem em resumir, de estimular que se reaja indistintamente, tampouco de distribuir armas sem critério a uma população. A abordagem precisa ser técnica, relativa ao efeito inibidor que a mera possibilidade de haver vítima ou testemunhas armadas representa para o agressor, algo muito comum aos que se aprofundam no estudo da segurança pública, nele conhecido como Halo Effect - ou efeito auréola, em livre tradução. Trata-se, apenas, de se reconhecer a substancial importância de não dar a criminosos a certeza da ausência de reação, seja por suas vítimas, seja por qualquer outro cidadão que presencie a ação. 
Nos Estados Unidos, país com duzentas vezes mais armas legalizadas do que o Brasil e uma taxa de homicídios sete vezes inferior à nossa (4,2/100mil X 29/100mil), assassinos em série e maníacos sexuais são mote frequente em campanhas publicitárias para estímulo à autodefesa, especialmente de mulheres, suas vítimas preferidas. Há até modelos de armas especiais para o público feminino, com empunhaduras mais delicadas e até cores diferenciadas, como o rosa. Por aqui, notícias sobre a ação de um criminoso serial só escancaram o quão indefesos estamos, fazendo-nos buscar ainda mais refúgio e, paulatinamente, abrir mão de atitudes simples do cotidiano social. 
Não é para menos. Para quem não vê o Estado capaz de conter a escalada de homicídios em que estamos atolados e não tem como se proteger, um exemplo como o do assassino de Goiânia difunde não apenas mortes, mas também um enorme medo em série.
* Fabricio Rebelo é bacharel em direito, pesquisador em segurança pública e diretor executivo da ONG Movimento Viva Brasil. 

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quinta-feira, 31 de julho de 2014

PESQUISA COM OS POLICIAIS NO BRASIL - RESULTADOS



Prezados leitores,foi realizada uma pesquisa entre Policiais Federais, Policias Militares e Policiais Civis do Brasil pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, FGV e Senasp.
Um total de 21.100 policiais foram entrevistados entre junho e julho em todo o país.
Leiam alguns artigos com resultados:

1) BBC BRASIL
Três em dez policiais no Brasil 'já sofreram abusos na própria polícia'
Luis Kawaguti
Da BBC Brasil em São Paulo
Atualizado em 30 de julho, 2014 - 11:19 (Brasília) 14:19 GMT
Um estudo realizado com cerca de 21 mil policiais em todo o Brasil revelou que quase 30% deles já foram vítima de abusos físicos ou morais em suas instituições – parte deles, durante o treinamento policial.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, a violência dentro das instituições policiais colabora para que os agentes da lei reproduzam esses abusos contra setores menos favorecidos da sociedade (Leiam mais).

2)SITE G1
30/07/2014 11h36 - Atualizado em 30/07/2014 11h40
Policiais querem carreira civil, salário maior e menos burocracia, diz estudo
Pesquisa é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, FGV e Senasp.
21.100 policiais foram entrevistados entre junho e julho em todo o país.
Rosanne D'Agostino
Pesquisa realizada com 21.100 agentes de segurança pública em todo o país indica que policiais brasileiros defendem uma nova polícia, de caráter civil, melhores salários, modernização e menos burocracia.
O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (30) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
O questionário foi enviado a 463.790 policiais, dos quais 21.101 responderam entre 30 de junho e 18 de julho de 2014.
São membros da Polícia Militar (52,9% do total de entrevistados), da Polícia Civil (22%), da Polícia Federal (10,4%), do Corpo de Bombeiros (8,4%), da Polícia Rodoviária Federal (4,1%) e da Polícia Cientifica (2,3%).
Ao todo, 48,96% dos entrevistados defendem a criação de uma nova polícia, de caráter civil, ou a unificação da Polícia Militar com a Civil, com hierarquia e organizada em carreira única. Essa ideia é defendida principalmente por policiais federais, rodoviários e PMs ouvidos (Leiam mais).

3) ÚLTIMO SEGUNDO
43% dos policiais acreditam que corporação deve premiar quem mata criminoso
Por Ana Flávia Oliveira - iG São Paulo*
30/07/2014 06:00 - Atualizada às 30/07/2014 16:40
Segundo pesquisa, quase 40% dos policiais pretendem sair da corporação se conseguirem outra oportunidade profissional
Quase metade dos agentes de segurança (43,2%) acredita que o policial que mata um criminoso deve ser premiado pela corporação. Os dados são da pesquisa "Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública”, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Centro de Pesquisas Aplicadas da Fundação Getulio Vargas (CPJA-FGV) e o Sistema Nacional de Segurança Pública (Senasp), divulgada nesta quarta-feira (30).
A pesquisa foi respondida por 21 mil agentes de segurança, entre policiais militares (52,9%), civis (22%), federais (10,4%), rodoviários federais (4,1%), bombeiros (8,4%) e integrantes de polícias científicas (2,3%).
(Leiam mais).

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

PMs EXPULSOS SÃO REINTEGRADOS PELO PODER JUDICIÁRIO



Prezados leitores, 28 (vinte e oito) PMs foram reintegrados por decisão judicial.
Segundo o noticiário está existindo um conflito na interpretação dos laudos entre o Ministério Público e a Polícia Civil.
Inúmeras vezes publicamos artigos sobre a falta de qualidade em muitas investigações policiais, o que além de dificultar a condenação de culpados, pode produzir um efeito ainda mnais perverso, a condenação de inocentes.
Em tempo que incautos consideram a desmilitarização das Polícias Militares como a solução para a melhora do sistema policial brasileiro, primeiro deveria existir uma preocupação com a melhoria da polícia investigativa, assim como, promover a independência da perícia, como já ocorreu na maioria dos estados brasileiros, sendo o Rio de Janeiro uma das exceções.
Aliás, o Rio de Janeiro é um dos estados mais atrasados do Brasil em termos de segurança pública.

"JORNAL EXTRA
30/05/14 06:00 
Policiais expulsos acusados de envolvimento com o tráfico de drogas voltam à PM após decisão judicial
Carolina Heringer 
Pelo menos 28, dos 52 PMs que tinham sido expulsos da corporação no ano passado, acusados de receberem propina do tráfico drogas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, já conseguiram ser reintegrados à corporação por decisões judiciais. Presos durante a Operação Purificação, realizada em dezembro de 2012, os militares, a maioria à época lotada no 15º BPM (Duque de Caxias), já estão soltos desde julho do ano passado.
O retorno de 25 deles foi publicado no boletim da Polícia Militar da última quarta-feira . No grupo, há um subtenente, 14 sargentos, nove cabos e um soldado. Um dia antes, já havia sido divulgado no documento da corporação a volta de outros dois militares, inclusive com a definição dos batalhões nos quais ficarão lotados. São eles os terceiros sargentos André Luís Ventura e Eduardo Henrique Costa Maria. O primeiro ficará no 16º BPM (Olaria) e o segundo, no 23º BPM (Leblon) (Leia mais)".

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A DESMILITARIZAÇAO DAS POLÍCIAS MILITARES, O GRANDE ERRO



Prezados leitores, o tema desmilitarização das Polícias Militares tem sido recorrente no nosso espaço democrático, tão liberal que publica com frequência comentários ofensivos contra nós, algo raro na blogosfera.
Os comentários continuam enveredando para um antigo e  grave problema existente nas Polícias Militares: a divisão entre Oficiais e Praças.
Uma odiosa separação que também existe nas polícias que não são organizadas militarmente no Brasil: as Polícias Civis e a Polícia Federal. No caso a separação é entre os Agentes e do Delegados.
Quem tiver alguma dúvida sobre isso pode procurar as opiniões da FENAPEF, por exemplo, sobre os Delegados da Polícia Federal.
Os comentários também se reportam com frequência aos ultrapassados regulamentos das Polícias Militares.
Prezados leitores, o tema que propomos não são os problemas do militarismo, esses todos nós conhecemos e sofremos com eles
A nossa proposta é que alguém apresente o resultado final da desmilitarização das Polícias Militares e da unificação com as Polícias Civis.
Nós queremos discutir a nova polícia, sua estrutura e seu funcionamento, mas isso de forma prática, permitindo aos nossos leitores não policiais participarem da discussão sobre o fato.
Os Policiais Militares e os Policiais Civis têm conhecimento suficiente para apresentarem o novo modelo.
Lembramos que não podemos avançar na discussão de uma mudança, qualquer que seja, sem analisarmos exaustivamente  os efeitos futuros das alterações. 
Isso é contraproducente, tendo em vista que corremos o risco de mudar para pior e termos que retroceder para o passado.
Por favor, apresentem a nova estrutura e a nova forma de atuação da polícia resultante.
Na questão hierárquica:
- Quem dirigirá a nova polícia?
- Quais serão os níveis hierárquicos?
- Todos serão extintos (Delegados, Coronéis, Tenentes, Inspetores, Cabos, ...) e criados novos?
- Como os novos níveis hierárquicos serão equiparados entre as duas polícias existentes?
- Um Subtenente será equiparado a qual nível hierárquico da atual Polícia Civil?
No tocante à unificação:
- Se unificar as Polícias Civil é Militar é uma medida acertada e que gerará melhores resultados, então temos que discutir uma polícia única no Brasil fazendo a unificação das PMs, PCs e PF. Isso não é lógico?
Na questão funcional:
- Os atuais Policiais Militares continuarão atuando unicamente no policiamento ostensivo ou atuarão também nas atividades de polícia investigativa?
Os atuais Policiais Civis passarão a atuar no policiamento ostensivo?
A nova polícia unificada será uma polícia de ciclo completo, isso é um fato, portanto, o mais natural é que os efetivos estejam preparados para essa nova realidade.
A Perícia Criminal continuará atrelada a essa nova polícia ou conseguirá sua almejada independência, passando a ser uma instituição independente e vinculada ao Ministério Público?
Leitores, não queremos defender ou condenar a desmilitarização e nem a unificação, nós escrevemos várias vezes sobre isso.
Nós precisamos debater da forma mais ampla, geral e irrestrita possível como será a polícia resultante.
Caso contrário, a mudança poderá ser um retumbante fracasso e isso ninguém quer, temos certeza, principalmente, a população que também sofre com o nosso deficiente sistema policial.
Não podemos seguir em frente sem sabermos se não estamos rumando para um abismo.
O grande erro que estamos cometendo é não discutirmos o produto final.
Quem deve fazer isso primeiro são os Policiais Militares e Civis.
Não percam a oportunidade.

Juntos Somos Fortes!

terça-feira, 20 de maio de 2014

A DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS MILITARES É INEVITÁVEL



Prezados leitores, solicitamos desculpas pela nossa incapacidade de expor as nossas pretensões sobre o tema desmilitarização das Polícias Militares, conclusão que chegamos após a leitura dos comentários que recebemos, os quais deixaram claro que não soubemos explicitar nosso principal objetivo sobre o tema.
Por favor, considerem o título do artigo como se fosse um fato consumado.
O que nós queremos colocar em discussão são os efeitos dessa desmilitarização e da unificação das Polícias Militar e Civil.
Nós queremos discutir o dia seguinte e de forma prática.
Como será estruturada a nova Polícia?
Quais serão os níveis hierárquicos?
Quais as funções de cada nível hierárquico?
Como será feita a fusão dos atuais efetivos?
Nós queremos o resultado.
Escrever e falar sobre desmilitarização e sobre unificação é muito fácil, porém temos que conhecer o produto final dessas ações.
É imprescindível conhecer o resultado da "equação":
Polícia Civil + Polícia ex-Militar = ?
Não podemos defender ou atacar uma proposta de transformação do sistema policial sem ter o planejamento adequado para que o produto final não seja pior que a situação anterior.
O que lemos e ouvimos são comentários sobre pontos específicos: 
"Os Oficiais são contra a desmilitarização".
"Todos os Policiais poderão fazer greve".
"Desmilitarizar é bom pois não seremos mais presos".
Cada ponto deve ser discutido, mas temos que conhecer o todo.
Pior que não mudar é mudar para pior.
Por favor, continuamos aguardando a colaboração dos nossos leitores no sentido da apresentação dessa nova Polícia da forma mais prática possível.

Juntos Somos Fortes!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

QUER MELHORAR AS POLÍCIAS? ACABE COM AS SECRETARIAS DE SEGURANÇA

O MODELO ATUAL
(intermediação)



Os protestos trouxeram de volta a ideia equivocada de que a desmilitarização das Polícias Militares representará uma melhoria para o nosso ineficiente sistema policial brasileiro. 
Longe de simplificar essa questão atribuindo isso a um revanchismo por parte dos mais velhos que na época dos governos militares foram reprimidos de alguma forma pelas ações dos Policiais Militares nas ruas do Brasil e que nos nossos dias governam o país ou a uma revolta dos mais jovens que tem confrontado nos protestos dos últimos meses com a força policial, prefiro acreditar que tal movimento seja fruto da desinformação.
Basta uma análise do nosso sistema de segurança pública, nascido para ser ineficaz com suas polícias pela metade (sem o ciclo completo), para ver com clareza que não é a mudança do modelo organizacional de uma das duas polícias estaduais, no caso o modelo das PMs, que fará o sistema ser eficiente.
Longe disso, a desmilitarização das PMs no estágio atual de insegurança pública que vivemos, poderá destruir o que ainda funciona, mesmo que precariamente, no sistema policial.
Tratamos dos efeitos da PEC 51/2013 em artigos anteriores e não cansaremos os nossos leitores com o retorno ao passado reapresentando os equívocos da proposta.
Preferimos partir de uma verdade: o sistema policial precisa mudar.
E, apresentar uma proposta de mudança, a qual também já abordamos, que poderá ser implementada sem qualquer risco de piorar, com grande economia de dinheiro dinheiro público (milhões por mês em cada estado), com recuperação de Policiais Federais, Militares e Civis para trabalharem em suas instituições, com aumento da interação entre as polícias estaduais e com uma possibilidade real de melhorar a eficiência, tanto das Polícias Militares, quanto das Polícias Civis, ambas improdutivas no presente.
A proposta é simples, basta uma assinatura dos governadores, extinguindo as Secretarias Estaduais de Segurança (em alguns estados o órgão recebe outra denominação), dando autonomia de gestão aos Comandantes Gerais das PMs e aos Chefes, acabando com a intermediação do secretário de segurança. 
"Profissionais não se improvisam e o mando deve caber ao mais digno e competente (General José da Silva Pessoa)".
Quem é o mais competente para gerir a Polícia Militar?
Um Coronel PM;
Quem é o mais competente para gerir a Polícia Civil?
Um Delegado PC.
Isso é óbvio.


O MODELO PROPOSTO
(autonomia)


Prezados leitores, pensem sobre isso, pode ser o primeiro passo para melhorarmos o nosso caótico sistema policial brasileiro, sem riscos e com inúmeras vantagens.
Extintas as secretarias de segurança, logo depois poderemos partir para um segundo passo imprescindível para mudar: adotar o ciclo completo para as Polícias Militares e as Polícias Civis, sendo a área de atuação definida territorialmente. 
Sem as desnecessárias secretarias de segurança e com as polícias realizando o ciclo completo, como ocorre em todo mundo civilizado, teremos inclusive a oportunidade de na prática identificarmos qual o modelo organizacional melhor para as polícias brasileiras: o militarizado ou o não militarizado.
Some-se a isso a independência da Perícia Criminal, a qual passaria a assessorar às polícias e ao Ministério Público, para termos um modelo factível e com boas chances de ser eficiente.
Simples assim.
Juntos Somos Fortes!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

MUDAR A POLÍCIA ATRAVÉS DA EXTINÇÃO DA SECRETARIA DE SEGURANÇA




A necessidade urgente de alterarmos o sistema policial brasileiro fica evidente diante da ineficiência que vivenciamos no Rio de Janeiro, por exemplo, onde a situação de insegurança que se espalha pelo estado após quase sete anos de governo Sérgio Cabral, período no qual se manteve ocupando a função de secretário de segurança, o delegado da Polícia Federal Beltrame e no qual forma nomeados cinco Comandantes Gerais da Polícia Militar e três Chefes da Polícia Civil, uma rotatividade  nunca antes vista no Brasil nos dois cargos mais importantes da área da segurança pública.
Ninguém tem qualquer dúvida, mudar é imprescindível e urgente.
Propostas de mudanças não faltam, algumas tramitando no Congresso Nacional, como a PEC 51/2013, a com maior visibilidade no momento.
Nesse breve artigo eu repito uma ideia que apresentei em inúmeros outros isso ao longo dos últimos anos.
Eu proponho uma mudança muito simples e que gera economia significativa de recursos públicos, os quais poderão ser melhor aplicados na própria segurança pública. Uma alteração que não provocará qualquer problema, ao contrário, trará vantagens e poderá ser o começo do processo de mudança no ineficaz sistema policial brasileiro.
Proponho autonomia de gestão para as Polícias Militares e Civis, privilegiando o Comandante Geral da Polícia Militar e o Chefe da Polícia Civil, os quais passariam a tratar da segurança pública diretamente com o governador, sem a existência da intermediação do secretário de segurança, um cargo político, não previsto na estrutura constitucional da segurança pública, plenamente dispensável.
A extinção das secretarias de segurança geraria uma grande economia (consomem milhões por mês), devolveriam as suas instituições centenas de Policiais Federais, Militares e Civis que integram esses órgãos e, sobretudo, permitiriam a integração e a autonomia de gestão às instituições policiais, o que hoje não existe diante da gigantesca interferência política nas ações das polícias estaduais.
Sinceramente, não custa tentar.
É simples, é rápido é econômico e pode melhor a produtividade.
Algo semelhante foi tentado no governo Brizola, porém erraram quando criaram os cargos de secretários estaduais de Polícia Militar e de Polícia Civil, suprimindo uma secretaria e criando duas. Além disso, os secretários acumularam os cargos de Comandante Geral da PMERJ e de Chefe da PCERJ, respectivamente, outro erro.
A nossa proposta diminuiria as estruturas administrativas (fim da SESEG/RJ) e os mandatários da PMERJ e da PCERJ passariam a ter o status de secretários, sendo essa a única alteração funcional, mas sem tirar policiais de suas instituições e sem construir novas estruturas,  sendo aproveitadas as atuais das instituições. 
Prezados leitores, não custa tentar, só temos a ganhar.
Juntos Somos Fortes!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

SEGURANÇA PÚBLICA: PEC 51/13, O MONSTRO QUIMERA




Prezados leitores, ontem eu dediquei parte do meu tempo à leitura do texto inicial da PEC 51/2013, a nova tentativa para promover alterações no ineficaz sistema de segurança pública e que está tendo grande repercussão nos grupos favoráveis à desmilitarização das Polícias Militares. Devo esclarecer que li o texto e a justificativa, mas não tive acesso a qualquer outra informação, como propostas de alteração do texto inicial. 
A interpretação que fiz me trouxe à lembrança a figura do monstruoso Frankenstein, mas o uso dessa figura para representar algo montado de forma monstruosa está muito desgastada, um lugar comum, e busquei ajuda para encontrar a melhor forma de apelidar a PEC, recebendo a ideia do monstro mitológico Quimera, a qual adotei.
Sem dúvida, o nosso sistema policial é um monstro, um culto à ineficiência, ele já deveria ter sido modificado desde a constituição de 1988, mas as forças corporativas evitaram as alterações.
Mudar é preciso, porém é imprescindível mudar com acerto, caso contrário, a situação ficará pior em termos de insegurança, algo que parece impossível como é o caso do Rio de Janeiro, onde o quadro é caótico e parece impossível de ser piorado.
A PEC 51 trás uma novidade importante, a adoção do ciclo completo por todas as polícias estaduais (Polícia Militar e Civil), municipais e distritais, as duas últimas criadas pela própria PEC. 
Eis um acerto indiscutível, o ciclo completo. Um tiro no centro do alvo. Acabar com as polícias pela metade que existem no Brasil dos nossos tristes dias seria um grande avanço. Alterar o rumo nessa direção significaria seguir o que é praticado no mundo civilizado. 
Extraindo esse ponto positivo, nos deparamos com temas recorrentes nas discussões e nas propostas anteriores: o fim das Polícias Militares através da desmilitarização; a polícia estadual única; a unificação da Polícia Militar com a Polícia Civil e a criação de um novo controle externo, na PEC denominada como Ouvidoria Externa, controle que já existe em vários estados da federação.
Os mentores da PEC esqueceram de incluir a independência da perícia criminal, o que é fundamental para melhorar a qualidade do serviço pericial e para estabelecer mais um mecanismo de controle da atividade policial. Isso já ocorre em vários estados brasileiros, penso que na maioria. Alguns estados mais atrasados na área da segurança, como o Rio de Janeiro, ainda subjugam a perícia, mantendo o órgão subordinado à Polícia Civil.
Erram também os idealizadores quando defendem a polícia única, a unificação das polícias, porém não defende a inclusão das Polícias Federais na unificação. 
Lembro que a Pplícia Federal padece também de ineficiência no cumprimento de suas missões constitucionais, apesar das operações com grande repercussão na imprensa. Basta ver os fuzis e as granadas nas ruas do Rio de Janeiro para conhecer as dificuldades da Polícia Federal em cumprir missões constitucionais.
Quem sabe unificando as Polícias Federais às Polícias Militares e Civis, a nova polícia produziria um melhor rendimento?
Por que não criamos uma polícia realmente única? 
Unificando inclusive os salários, atualmente tão defasados.
As Guardas Municipais poderão ser transformadas em polícias municipais de ciclo completo, caso a PEC seja aprovada. Além disso, poderão ser criadas polícias distritais ou submunicipais de ciclo completo.
Só Deus sabe como conseguiremos construir essas novas polícias.
A situação do Corpo de Bombeiros, mantido na segurança pública e com funções também na Defesa Civil (Onde deve estar na verdade), mas não trata da desmilitarização da corporação, o que é inevitável diante da mudança do modelo organizacional das Polícias Militares.
Em síntese, o principal foco da PEC é reescrever o texto constitucional, passando para os estados federativos a competência para organizar os seus sistemas policiais, deixando nas mãos dos governadores e dos prefeitos a construção do novo sistema. Cada governador e cada prefeito poderão organizar o sistema segundo seu entendimento, respeitando alguns parâmetros estabelecidos na PEC (ciclo completo, Ouvidoria, etc), a qual chega a sugerir modelos na "justificativa". 
Na prática poderemos ter modelos diferentes entre os estados e modelos diferentes no mesmo estado, considerando a competência dos prefeitos.
Destacando o meu respeito aos idealizadores da PEC 51, isso é uma monstruosidade, algo que beira a irresponsabilidade, diante do nosso ponto de partida, o atual sistema policial.
O monstro Frankenstein da segurança pública.
O monstro Quimera do sistema policial.
Na "justificativa" da PEC se preocupam com a desmilitarização das Polícias Militares, mas não se preocupam com a gigantesca transformação que terão que sofrer as Polícias Civis, considerando que seus efetivos não possuem qualquer formação nas áreas do policiamento ostensivo e da manutenção da ordem pública. No tema especifico do "controle de distúrbios civis" tão necessário em tempos de protestos, a experiência dos Policiais Civis é nenhuma. Penso que não será fácil convencer aos atuais Policiais Civis que eles passarão a patrulhar a pé e em viaturas as ruas brasileiras. 
A transformação nas Policias Militares seria mais fácil em termos funcionais, embora existirá fortíssima resistência à desmilitarização, tendo em vista que os Policiais Militares (Oficiais, Subtenentes e Sargentos) estão acostumados com a prática da polícia judiciária, a missão das Polícias Civis. Nesse aspecto, não ocorrerá qualquer dificuldade. Isso sem falar no fato de que muitos Policiais Militares ficarão muito satisfeitos em trocar de lugar com os Policiais Civis, saindo das ruas.
Fico por aqui, não quero convencer ninguém. Formar opinião nunca foi o objetivo do nosso blog. Nossa intenção sempre foi trazer subsídios, alguns desconhecidos da maioria, para que cada um possa formar a própria opinião sobre os temas tratados. Comprova essa postura o fato de que publicamos artigos de terceiros, inclusive com opiniões contrárias às nossas.
Diante de tal realidade, leia o texto inicial da PEC 51/2013. Leia a "justificativa" da PEC. Construa a sua opinião e apresente suas sugestões, quem sabe as respostas certas não são as suas ideias (Link).
Por enquanto, tudo parece perdido...
Juntos Somos Fortes!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

PEC 51/2013 - CONHEÇA O FIM DAS POLÍCIAS MILITARES

Eu tenho lido e relido o texto inicial da PEC 51/2013 proposta pelo senador Lindbergh Farias (PT), mais uma tentativa de acabar com as Polícias Militares do Brasil. 
Além do fim das PMs, a PEC propõe que os Estados passem a gerir a organização da segurança pública, o ciclo completo para todas as polícias, a criação de polícias municipais e a criação de uma Ouvidoria externa para cada polícia, apresentando sugestões de modelos.
Pretendo escrever um artigo  sobre a proposta, mas prefiro buscar antes maiores informações além do texto inicial e, antecipadamente, agradeço qualquer colaboração encaminhada.
Sugiro a leitura a todos os interessados na construção de um novo sistema policial para o Brasil, uma necessidade inadiável, considerando a ineficácia do sistema atual e o caos que se transformou a INsegurança pública no país.
Eis o texto inicial (Link).
Juntos Somos Fortes!

UNIFICAÇÃO DAS POLÍCIAS, DESMILITARIZAÇÃO DAS PMs E MILITARISMO - OPINIÕES

COMENTÁRIOS:
1) "Ilustre Coronel PM. 
Durante alguns anos, através de missivas, venho discutindo tese, sugerindo a unificação da Policia Civil e Policia Militar em uma Força de Policia Estadual, transformando cargos militares em denominações adjetivas da Policia Civil sob novas nomenclaturas, com aproveitamento do pessoal em atividade de ambas corporações. Em principio, ninguém ousou em estabelecer parâmetros entre os cargos de natureza policial militar com os da policia civil. Com a futura extirpação do mundo jurídico do Inquérito Policial, a Policia Civil servirá tão somente de supedâneo das investigações para o Ministério Publico deflagar eventual ação penal. Com máxima vênia, considero autoridade policial todos aqueles que possui no mister de suas atribuições poder de polícia. Por consequência, policiais civis ou Oficiais possuidores de Curso Superior em Direito tem pleno conhecimento do Direito, e portanto, poder de autuar em flagrante de delito (significa formar autos), prescindindo da figura do Delegado de Policia.Sob a minha ótica, seria pertinente equiparar para efeitos financeiros,Coronel da Policia Militar com Delegado de Policia, assim como, os Inspetores de Policia com Oficiais da Policia Militar, desde que sejam possuidores de formação do curso superior; Aos demais, sem formação universitária, com segundo grau, poderiam ser equiparados desde Sub Tenente ao Terceiro Sargentos. Feitas essas considerações, não existiria óbice á pretensa unificação, seguindo modelo de Policia Norte Americano ., devemos deixar as paixões de lado e repensarmos na evolução social, que exige mudanças no sistema da Segurança Publica. 
Lobão" 
2) "Não ligo se sou soldado ou coronel ou delegado ou agente; o que eu queria de verdade era um salario digno da minha arriscada profissão a qual não reclamo mas gosto muito. Sou hoje 3º sargento da PMGO e atualmente ocorre muitos abusos com os praças e também oficiais subalternos, exemplifico um convenio que a policia militar fez com os Correios em relação às provas do ENEM onde fomos obrigados em dia da merecida folga de trabalhar em escolas vigiando estudantes e provas e ainda sem receber nada, na minha opinião é um tremendo abuso e os policiais que não tiveram condições físicas e mentais para trabalhar nas escolas devido a estarem saindo de serviço de 24 horas na função de radio patrulha já estão respondendo a processos administrativos. A meu DEUS que sentimento de impotência por isso eu amo a policia, adoro o militarismo mas sou totalmente contra nas policias pois só serve para alguns oficiais e governo de nos humilhar, nos escravizar e outras mazelas. É minha triste opinião. 
Limagtp" 
3)  "Se vai desmilitarizar a PM como reflexamente vai militarizar a PC? Hierarquia e Disciplina não significa necessariamente ser militar. As PM's já ultrapassam o efetivo da FFAA a muitos anos e nada mudou. Risco ao modelo federativo é deixar como está .As polícias americanas tem ciclo completo, pode-se ter 1000 polícias desde que todas com ciclo completo. A missão da polícia militar, sendo assim, é só patrulhar, caso aconteçam crimes deve-se acionar a polícia civil, pois é ela que apura as infrações penais, preservam o local de crime e quando forem fazer reintegração de posse pode levar dois ou três agentes que dá certo, pois cumprir mandados como esse é atribuição de polícia judiciária. 
Anônimo"
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Opine.
Juntos Somos Fortes!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

QUAL É MESMO O MOTIVO PARA DESMILITARIZAR AS POLÍCIAS MILITARES?

Prezados leitores, ontem eu compareci ao Quartel General da PMERJ, o Quartel dos Barbonos, onde estive na Diretoria Geral do Pessoal (DGP) para tratar de assuntos de interesse profissional. Devo destacar a fidalguia com a qual fui tratado por todos com os quais tive contato. Nada mais natural pensaram todos, considerando que sou Coronel PM Reformado, mas a recepção nem sempre aconteceu dessa forma cortês por parte de alguns, isso em razão de eu ser considerado um inimigo político do governo. Sim, sou um crítico contumaz do governo Cabral sempre que as suas ações políticas prejudicam a bicentenária Polícia Militar que defendo com o amor corporativo aprendido em mais de trinta anos de serviço e defendo também por dever, tendo em vista que sou um Oficial do último posto da corporação, portanto, um dos responsáveis pelo destino institucional.
Na DGP ouvi sábias palavras do diretor, Coronel PM Souza, quando ele explicava que a legislação deve ser analisada de forma sistêmica, para que se entenda a lei como um todo, não se analisando os artigos de forma isolada.
Análise sistêmica é exatamente isso que falta aos que defendem a desmilitarização das Polícias Militares como uma solução para melhorar o ineficiente sistema policial brasileiro. Focam no tema e não analisam o sistema. Um erro grosseiro.
O problema é o sistema policial, concebido para dar errado, como demonstrei em vários artigos postados nesse blog e não o modelo organizacional das Polícias Militares.
Lembro que aos desavisados que desmilitarizar as Polícias Militares significa na prática acabar com as corporações e sou forçado também a reavivar a memória dos que defendem a desmilitarização como solução que não conseguiremos “acabar” com os Policiais Militares, eles continuarão existindo com todo ferramental de conhecimentos assimilados nos anos de serviço, nem conseguiremos desmilitarizá-los ou desmilitarizar suas ações da noite para o dia. Os atuais Policiais Militares continuarão por muito tempo agindo como fazem no presente. Isso é fato. Deve ser considerado na avaliação.
Os que querem desmilitarizar (eliminar) as Polícias Militares não conseguem explicar como solucionaremos a situação exposta no parágrafo e nem apresentam uma motivação efetiva, uma justificativa concreta, para por fim a organização militar dos azuis.
Convido a todos e a todas para promoverem uma buscarem na memória para apresentarem o(s) motivo(s) que podem ser apresentados como determinantes para desmilitarizar.
Antecipadamente, cito os mais comuns nos debates.
1)     As Polícias Militares são frutos da denominada ditadura militar e atuaram na repressão.
Quem defende isso esquece que a quase totalidade dos atuais Policiais Militares não participaram desses atos, assim como, a maioria dos atuais Policias Federais e Policiais Civis, pois integrantes dessas instituições também integraram o aparado repressivo. Se o motivo for esse, o que fazer? Acabar com todas as polícias?
2)    A corrupção na Polícia Militar.
Bem, se nós resolvermos acabar com as instituições públicas onde a corrupção existe, acabaríamos não apenas com todas as polícias brasileiras, mas com todas as instituições públicas.
3)    As Polícias Militares são ineficientes no cumprimento de suas missões.
Novamente, quem usa esse argumento não sabe como são igualmente (ou mais) ineficientes as Polícias Federais e Civis. Acabaremos então com todas?
4)    A Polícia Militar é violenta.
Lamento, mas sou forçado a citar que as Guardas Municipais, por exemplo, não são organizadas militarmente, mas são extremamente violentas quando reprimem ambulantes nas ruas ou quando atuam em reintegrações de posse. As Polícias Civis, não organizadas militarmente, também demonstram extrema violência quando atuam em comunidades carentes. Imagens não faltam para comprovar essas verdades. Se o motivo for a violência será o fim das Polícias Militares e Civis, além das Guardas Municipais?
5)    O militarismo é composto por regulamentos arcaicos, o que afeta a relação entre Oficiais e Praças, prejudicando o serviço policial.
Eis uma verdade, a Polícia Militar do Rio de Janeiro, citando um exemplo, precisa urgentemente rever toda sua legislação básica, adequando à nova ordem constitucional, inclusive para garantir os direitos dos Policiais Militares, rotineiramente violados interna e externa corporis. Sinceramente, não posso considerar que isso seja um motivo justo para acabar com as Polícias Militares, basta uma adequação. Quem acha que os Praças têm problemas com os Oficiais, procure saber os problemas que a "tiragem" das Polícias Civis têm com os Delegados.
6)    Os Policiais Militares têm demonstrado despreparo (desqualificação) quando atuam nos protestos que estão ocorrendo nas ruas.
Eis outra realidade inquestionável, mas os Policias Civis também têm demonstrado igual falta de preparo no que diz respeito a investigar a atuação dos criminosos que agem nesses protestos, como demonstram as estatísticas apresentadas sobre o número de presos e de processados, considerando o vandalismo generalizado. Diante de tal quadro, devemos acabar com as Polícias Civis e Militares?
7)    No mundo a maioria das polícias não é organizada militarmente.
Verdade, mas existem polícias organizadas militarmente em outros países que são muito eficientes, portanto, a organização militar não é fator determinante para a ineficiência, não justifica acabar com as Polícias Militares em face do seu modelo organizacional.
8)    As Polícias Militares não realizam o ciclo completo de polícia.
Nem as Polícias Civis. Aliás, uma ideia para começar a mudar o sistema policial ineficiente parte exatamente desse ponto. Adotar o ciclo completo para as Polícias Militares e Civis, cada polícia atuando em uma parte do estado (divisão geográfica).
Certamente, caro leitor, você poderá elencar outros motivos, mas procure analisar de forma sistêmica todos que conseguir lembrar, ou seja, verifique se o problema não abrange toda a estrutura do sistema policial.
Avalie os resultados da extinção das Polícias Militares sobre o sistema como um todo. Procure conceber como será a nova polícia que surgirá com o fim das Polícias Militares e a incorporação dos Policiais Militares às Polícias Civis.
Pense.
Não se deixe conduzir.
Pior que não mudar é mudar para pior, lembre-se.
Não defenda a desmilitarização das Polícias Militares em razão do uso nos protestos das bombas de efeito moral, da cavalaria, dos cães, das balas de borracha e dos gases, as polícias de todo mundo usam esses recursos para o controle de distúrbios civis e a maioria delas não é organizada militarmente.

Juntos Somos Fortes!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O ERRO DA UNIFICAÇÃO DAS POLÍCIAS NA VISÃO DE UM DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL

"Proposta que unifica Polícia Civil e Polícia Militar é um equívoco 
Por Thiago Frederico de Souza Costa
Várias manifestações tomaram as ruas do Brasil neste ano de 2013 e os vários casos noticiados na imprensa sobre alguns abusos praticados na contenção dos protestos trouxeram à tona a discussão sobre a necessidade de mudança do modelo de policiamento militar ainda existente no Brasil.
A propósito, sobre duas das principais instituições policiais existentes, impende registrar inicialmente que a Polícia Militar, força auxiliar das Forças Armadas, é a polícia administrativa, responsável pelo policiamento ostensivo e pela preservação da ordem pública, estando subordinada diretamente ao Executivo.
A Polícia Civil, também denominada Polícia Judiciária, por sua vez, é a encarregada da apuração dos crimes, fase preliminar que antecede ao processo penal, essencial à função jurisdicional e vinculada finalisticamente ao Judiciário, embora teratologicamente permaneça subordinada ao Executivo.
Feito esse registro, no mês em que a Constituição completa 25 anos, fica evidente que ainda vivenciamos a experiência de uma recente da redemocratização.
Nesse contexto, a formação da Polícia Militar não se apresenta consentânea com o modelo democrático fundado na cidadania e na dignidade da pessoa humana, fundamentos da República Federativa do Brasil inscritos no artigo primeiro Carta Constitucional.
O reflexo disso foi visto nos embates e na forma com que alguns cidadãos foram reprimidos pela Polícia Militar em manifestações populares amparadas pelo direito à livre manifestação do pensamento (inciso IV) e pelo direito de reunião (inciso XVI), ambos previstos no art. 5º da CF/88.
Recentemente, mais dois casos emblemáticos firmaram a convicção de que algo precisa ser feito com relação a esse modelo de policiamento. O primeiro deles foi o caso Amarildo, em que dez policiais militares – incluindo um major e um tenente – foram indiciados pelo delegado de polícia do Rio de Janeiro no inquérito policial em que se apurou o desaparecimento daquele morador logo após ser preso pela Polícia Militar.
O outro caso emblemático foi a forma como professores do Rio de Janeiro foram debelados pela Polícia Militar durante movimento que pleiteava a melhoria das condições de trabalho dos educadores, profissionais responsáveis pela formação de nossos futuros cidadãos.
Esses são apenas dois exemplos dentre muitos outros noticiados na imprensa que resultaram no que hoje se mostra como um grande movimento pela desmilitarização da Polícia Militar.
Embora a desmilitarização seja uma reivindicação legítima, nesses momentos surgem especialistas prontos para divulgar panaceias mirabolantes, pré-fabricadas, aguardando o momento oportuno para deflagrá-las, geralmente momentos de forte instabilidade institucional, o ambiente propício para dispararem ideias de questionável interesse público, mas de forte apelo ideológico.
Um desses kits prontos de fábrica, do tipo pacote completo é a proposta de desmilitarização da Polícia Militar, unificação com a Polícia Civil e unificação de todas as carreiras existentes dentro das polícias – um péssima ideia que se tornou a PEC 51/2013 do Senado.
Essa pretensão de unificação total e irrestrita virou um verdadeiro transtorno obsessivo compulsivo de alguns que sempre ficaram à espreita, tamanha a desfaçatez da proposta, até que qualquer qualquer coisa relacionada à segurança pública fosse aventada (desta vez é a desmilitarização da Polícia Militar), aproveitando para lançar à exaustão nas mídias sociais e nos meios publicitários seus ideais quiméricos, como se a repetição tivesse o dom de mudar a essência das coisas, salvo para aqueles que comungam dos mesmos valores de Joseph Goebbels – ministro da propaganda do Reich nazista – , o qual afirmara que “uma mentira contada mil vezes, se torna realidade”.
Certamente, hoje não se pode cair em tais contos, porquanto cabe às cabeças pensantes o dever de aclarar as coisas e analisar o que for proposto nessa área de modo bastante acurado.
Fazendo uma análise sóbria da questão, sem o atrevimento de propor qualquer solução mágica, a primeira conclusão é a de que uma mudança se faz necessária, notadamente no que tange à formação e à forma de atuação da Polícia Militar.
Nessa área qualquer mudança efetiva e duradoura deve ser feita passo a passo, de forma responsável, pois não se muda uma cultura de várias décadas com a alteração de uma lei. Antes disso é necessária mudança de valores, da cultura que permeia a formação dos integrantes da instituição policial, sendo esse apenas o primeiro passo de um longo processo de readequação de um modelo já consolidado.
No caso da proposta de desmilitarização da Polícia Militar, será necessário o transcurso de pelo menos 15 ou 20 anos até que uma nova cultura, totalmente diferente da utilizada até hoje, esteja arraigada na consciência coletiva de todo o efetivo, tempo esse também necessário para que uma renovação ao menos parcial da tropa se realize.
Essa anotação é importante pois os especialistas que aparecem em cada esquina insistem no discurso repetitivo de que a desmilitarização deve ser seguida de uma imediata unificação da Polícia Militar (desmilitarizada apenas no nome) com a Polícia Judiciária (Polícia Civil) e, se não bastasse, da unificação também todas as carreiras policiais.
Com a devida venia às opiniões dos especialistas que defendem panaceias desse jaez, mas esse discurso é frágil e perigoso, que sucumbe ao menor esforço intelectivo capaz de constatar, além do risco ao próprio estado brasileiro, o efeito inverso que uma unificação dessa natureza proporcionaria neste momento.
Devemos atentar para o fato de que a Polícia Judiciárias de formação civil desde a sua instituição pela Constituição de 1988, com formação humanística e atuação subordinada aos ditames da lei, possui hoje um quadro de servidores consideravelmente menor que o das polícias militares.
Por isso, a intenção de trazer para dentro das polícias civis todo um efetivo militar, sem um período de “amortecimento” do modelo anterior recém-desmilitarizado, fará com que a suposta solução vire um problema ainda maior, já que ao invés de desmilitarizar a Polícia Militar, promover-se-á a militarização da Polícia Civil como efeito reflexo da união das duas instituições.
Não se trata de uma crítica aos policiais militares, mas não há dúvida de que trarão consigo um modelo de policiamento com o qual conviveram por toda a vida profissional, que não desaparece de um dia para outro pelo simples ato de promulgação de uma lei, ficando evidente que a consequência dessa união funesta que é aventada será a sobreposição do modelo até hoje adotado pela Polícia Civil pela doutrina trazida pelos policiais militares.
A proposta de unificação da Polícia Militar e da Polícia Civil se torna ainda mais nefasta se notarmos que o Brasil ainda experimenta uma pequena experiência de recente redemocratização, o que desaconselha a adoção de um modelo de polícia única, que consequentemente formaria uma enorme força policial, sem referência em termos de efetivo e de concentração de poder, já que se aproximaria do ou ultrapassaria o efetivo das Forças Armadas.
Essa nova polícia, única em cada Estado da Federação, com efetivo digno de um exército, com predominante engajamento e formação militar em sua origem, ficaria sob a tutela de cada um dos governadores, o que demonstra a gravidade de tamanha concentração de força que, em última análise, é um risco ao próprio modelo federativo de nossa República.
Um exemplo claro de que a proposta de unificação não opera milagres é o fato de que nos Estados Unidos existem mais de 17 mil agências policiais, sendo aproximadamente 12.300 departamentos de polícia municipais e de condados, 3.100 xerifados, além das polícias estaduais e inúmeras agencias policiais federais, das quais se destacam o Federal Bureau of Investigation (FBI), a Drug Enforcement Administration (DEA), o U.S. Marshals (USM), o Immigration and Naturalization Service (INS), o U.S. Treasury Department (Departamento do Tesouro), o Bureau of Alcohol, Tobacco, and Fire Arms(ATF), o Department of Interior (DI), o U.S. Postal Service (USPS), dentre outros, sendo que alguns destes se subdividem em outras agências policiais, cada uma com atribuições específicas, existindo casos de agências policiais encarregadas de investigar outras.
Isso mostra que a existência de mais de uma instituição policial, em vez de ser combatida, deve ser aperfeiçoada através da especialização de suas funções, garantindo assim uma atuação mais eficaz.
Nesse sentido, a Polícia Judiciária hoje investiga até mesmo os crimes comuns praticados por policiais militares, como no caso do desaparecimento de Amarildo no Rio de Janeiro, fato amplamente noticiado na imprensa, que culminou no indiciamento pela Polícia Civil do Rio de Janeiro de dez policias militares.
A manutenção da separação das instituições é necessária e, principalmente, aconselhável, pois o Brasil ainda carece de maior amadurecimento em termos institucionais, antes que se vislumbre a unificação de forças policiais, conquanto a especialização pela separação das funções seja salutar.
Ademais, os defensores da unificação total das Polícias Militar e Civil sustentam que no restante do mundo todas as polícias são de ciclo completo. Conquanto seja questionável a assertiva de que em todo o mundo tal modelo é adotado, fato é que nas polícias que o adotam, invariavelmente existe uma divisão interna, exatamente para distinguir aqueles policiais que exercem o policiamento preventivo, fardado e ostensivo, daqueles que exercem a função velada de investigação das infrações penais.
No modelo americano, que costuma ser utilizado como exemplo, o policial ingressa como oficial, encarregado do policiamento ostensivo, não atuando na fase de investigação. O mesmo se diz do investigador, que não atua no policiamento fardado ou de manutenção da ordem pública.
Logo, percebe-se que no modelo de ciclo completo o policial que atua no policiamento ostensivo preventivo, fardado, não funciona na fase da investigação, até mesmo pela inviabilidade de se fazer todas as funções pelo mesmo agente. Ou seja, alguns policiais fazer a função da Polícia Militar e outros a da Polícia Judiciária Civil.
Por isso, a tese de que o modelo de ciclo completo é mais eficiente e funcional talvez não seja a mais adequada para o Brasil, já que nele a instituição policial acaba se tornando generalista, fazendo de tudo um pouco, o que gera questionamentos sobre sua efetividade e eficiência.
Enfim, o que existe no Brasil no que tange as atividades exercidas atualmente pela Polícia Militar e pela Polícia Civil é apenas a especialização de funções, dividas em duas instituições para melhor aperfeiçoamento das atividades, racionalizando e dando mais eficácia ao exercício das respectivas atribuições, pois as instituições possuem particularidades e formação específica para a respectiva atividade fim.
Nesse diapasão, impende ainda ressaltar que a natureza das funções de cada uma das instituições no Brasil está finalisticamente ligada a poderes diversos – a Polícia Militar diretamente vinculada ao  Executivo, encarregada da prevenção e da manutenção da ordem pública; e a Judiciária que, como o próprio nome diz, está finalisticamente ligada ao Poder Judiciário, encarregada da fase preliminar ao processo penal, consistente na apuração das infrações penais.
Podemos concluir que ambas as instituições policiais – ainda que venham a possuir natureza civil, o que é desejável – possuem particularidades e finalidades que aconselham a manutenção da especialização de cada uma delas na respectiva área, ao menos até que uma nova cultura seja implantada e absorvida institucionalmente pelos integrantes da atual Polícia Militar que, em um tempo razoável, exigirá pelo menos vinte e cincos anos.
Enfim, essas e outras razões demonstram que a desmilitarização da Polícia Militar, caso venha a ser implantada, deve vir acompanhada de profunda reforma do modelo de formação de seus integrantes e de sua forma de atuação, mantendo-se as mesmas funções de polícia administrativa ostensiva e de preservação da ordem pública, podendo, nessa função, receber o apoio complementar das guardas municipais, porém sob um novo prisma democrático e de respeito aos direitos individuais.
Porém, qualquer mudança nessa área deve primar pela ausência de rupturas abruptas ao modelo muito bem definido pelo constituinte originário, mantendo-se a continuidade dos serviços essenciais realizados pela que porventura venha a se tornar a Polícia Administrativa Civil dos estados (atual Polícia Militar).
Quanto à Polícia Judiciária – Polícia Federal e Polícias Civis dos estados e do Distrito Federal – esta deve ser aperfeiçoada, dotando-a de autonomia financeira, funcional e administrativa, além de independência funcional para o membro da carreira de delegado de polícia, uma necessidade premente para que exerçam com eficiência sua relevante e indeclinável função de promover a investigação das infrações penais.
Tais garantias são essenciais à atividade de investigação criminal e ao fortalecimento e coesão do sistema de justiça criminal, que começa com a investigação pela Polícia Judiciária, passa pela promoção da ação penal pelo Ministério Público e se encerra com o julgamento pelo Judiciário, os quais devem estar estruturados tanto financeiramente como funcionalmente para que possam atuar sem ingerências externas, condições necessárias para se reduzir o grave problema de criminalidade existente no Brasil.
Diante disso, a Proposta de Emenda Constitucional nº 51/2013 do Senado, que pretende unir a Polícia Miliar à Polícia Judiciária Civil é um equívoco que não atende ao interesse público e desconsidera a negativa experiência recente findada com a redemocratização, pois mudanças – quando necessárias – devem ser graduais, especialmente quando interferem em instituições tão sensíveis à manutenção da tranquilidade institucional de nosso juvenil estado democrático de direito".
O que você pensa sobre isso?
Juntos Somos Fortes!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A MILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS CIVIS DO BRASIL

Os espasmos cívicos que brotaram em dezenas de cidades brasileiras no mês de junho, levando o povo a se manifestar nas ruas, revelaram que o gigante pode acordar, embora prefira o sono, bem como, demonstraram pela enésima vez como são ineficientes as nossas organizações policiais.
As Polícias Militares demonstraram enorme dificuldade em garantir o direito de livre manifestação popular e maior dificuldade ainda em evitar os atos de vandalismo. Ostensivas, visíveis nas ruas, as Polícias Militares são a parte facilmente identificável da ineficiência dos gestores da segurança pública, esses quase nunca responsabilizados. Paga a polícia presente nas ruas um preço muito alto, sendo acusada de excessos quando age e acusada de omissão quando não reprime e o vandalismo acontece. Os fardados foram ineficientes, isso é verdade.
Tal realidade fez crescer geometricamente os discursos sobre a desmilitarização das Polícias Militares, como se a forma de organização fosse a causa determinante dos erros. O tema desmilitarização é antigo e deve ser discutido, mas não de forma isolada e muito menos oportunista. Não podemos permitir que visões monoculares repercutidas pela imprensa escondam do grande público que a ineficiência das Polícias Militares nos protestos possui tamanho idêntico à ineficiência das polícias não organizadas militarmente: as Polícias Civis. Sim, as Polícias Civis, responsáveis pela investigação dos crimes praticados durante os protestos e pela apresentação dos seus autores ao poder judiciário. As Polícias Civis foram tão ou mais ineficientes que as Polícias Militares. Eis outra verdade.
Em apertada síntese, não concordando que a ineficiência policial seja fruto da organização militar, um modelo eficiente por natureza, ouso propor a imediata militarização das Polícias Civis como forma de melhorar seu desempenho, sendo propositalmente tão irresponsável quanto os que querem melhorar o caótico sistema policial brasileiro, tremulando apenas a bandeira da desmilitarização das Polícias Militares.
Juntos Somos Fortes!